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O Cerrado na perspectiva dos povos indígenas de Goiás: a arte de vida do povo Tapuia do Carretão-GO

Year: 2011
Type: article
Abstract: c e r r a d o /a r t i g o s o CErrado na pErspECtiva dos povos indígEnas dE goiás: a artE dE vida do povo tapuia do CarrEtão-go eguimar Felício Chaveiro Lorranne Gomes da silva sélvia Carneiro de Lima o s estudos geográficos sobre o Cerrado, especialmente os que são feitos pela perspectiva da abordagem territorial, têm almejado edificar uma interpretação integrada em que, num único pleito, aglutine os componentes que compreendem o conceito de bioma e de ecossistema; os que dizem respeito ao modo como os diferentes sujeitos apropriam do solo, das espécies, do relevo, das águas etc; os que fazem referências à cultura e ao seu rico manancial simbólico.Ao sair da referência simples de bioma e derivar o Cerrado como um bioma-território a contradição se aclara por meio desses estudos: houve um tempo em que o Cerrado praticamente não era objeto de estudo e de pesquisa da geografia, embora, naquele tempo, o bioma fosse relativamente preservado; agora os estudos são alavancados mas o bioma, especialmente um contingente de suas espécies de fauna e flora, é destruído (1).Há que expor a razão dessa contradição ou, pelo menos, perguntar o seu fundamento.Ora, a mesma intenção que promulgou o silêncio da geografia sobre o Cerrado pode evidenciá-lo na farta corrente de informação própria desse tempo.Vê-se que o silêncio devia-se ao julgamento de que o Cerrado não oferecia condições físico-biológicas que fossem capazes de alimentar a sanha da economia capitalista no Brasil; agora a destruição das espécies e de outros componentes segue também o mesmo critério economicista, uma vez que angariou-se maneiras de fazê-lo gerar renda e lucro.O olhar hegemônico do Cerrado, dentro e fora da geografia, portanto, sofreu antes, como tem sofrido agora, o anteparo economicista.Antes das elaborações das pesquisas recentes da geografia e mesmo sofrendo todo tipo de pressão -desde a tentativa de escravidão pela forma de aldeiamento, grilagem de terras, ameaças, torturas, expulsões, chacinas e fragmentação de suas terras, subordinação de sua cultura -os povos indígenas de Goiás, os Karajá, os Avá-canoeiros e os Tapuia, por meio de sua cultura ecológica, souberam ver, amar e usar o Cerrado para a sua arte de vida sem destruí-lo.Ao contrário, os vetores economicistas destroem o bioma -e também esses povos.Como sujeitos primordiais -e primazes -do Cerrado, sem os signos cartoriais, sem as cercas que definem o controle das propriedades e sem a ganância que aquece o interesse das instituições hegemônicas *O presente texto é parte da pesquisa intitulada "Terras indígenas: Território, cultura e acesso aos recursos naturais" -Biotek-
Language: Portuguese
Subfield: Anthropology
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W1495317859
FWCI: 1.435
Cites: 3
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