Papel do sistema ubiquitina-proteassoma na formação da memória e suas alterações em um modelo de disfunção cognitiva associada ao acúmulo cerebral de ferro
Year: 2015
Type: dissertation
Abstract: A função neuronal saudável e a modificação sináptica precisam tanto da síntese quanto da degradação de proteínas. Evidências indicam que o turnover de proteínas mediado pela atividade do proteassoma está envolvido na plasticidade sináptica e na memória de longa duração. No entanto, seu papel nas diferentes fases da memória continua em discussão, e estudos anteriores não avaliaram a possível necessidade da degradação de proteínas na memória de reconhecimento. Nesse trabalho, nós mostramos que o inibidor de proteassoma, lactacistina, infundido na área de CA1 do hipocampo em dois períodos de tempo específicos durante a consolidação, prejudica a retenção da memória de reconhecimento em ratos. A administração da lactacistina não afetou a reconsolidação da memória. Estas descobertas fornecem a primeira evidência para a importância da atividade do proteassoma na memória de reconhecimento, indicando que a degradação de proteínas no hipocampo é necessária durante duas janelas de tempo específicas na consolidação da memória, contribuindo para a melhor compreensão do papel do turnover de proteína na formação da memória. Alterações dos níveis de ferro cerebral têm sido observadas em doenças neurodegenerativas. Já foi demonstrado pelo nosso grupo de pesquisa, que a sobrecarga de ferro no período neonatal resulta em graves e persistentes déficits de memória na vida adulta. A degradação das proteínas mediada pelo sistema ubiquitina-proteassoma desempenha um importante papel na regulação de vários processos celulares e seu comprometimento tem sido implicado na patogênese de doenças neurodegenerativas. Então, nesse estudo, também foram avaliados os efeitos da exposição de ferro no período neonatal sobre a expressão das subunidades do proteassoma β1, β2, e β5 e das proteínas poliubiquitinadas em cérebros de ratos aos 15 dias de vida e na idade adulta. Dois tipos de memória dependente do hipocampo, aversiva e de reconhecimento, foram analisados em animais adultos. Confirmamos as evidências anteriores, de que o ferro administrado no período neonatal prejudica tanto a memória aversiva quanto a memória de reconhecimento. Os níveis de proteínas poliubiquitinadas encontraram-se elevados no hipocampo, mas não no córtex, de animais adultos tratados com ferro. A expressão gênica das subunidades β1 e β5 foram afetadas pela idade no hipocampo, sendo maior nos primeiros estágios de desenvolvimento, acompanhado por um aumento relacionado com a idade nos níveis de proteína poliubiquitinada em ratos adultos. No córtex, a expressão gênica das três subunidades do proteassoma foi significativamente mais elevada na idade adulta do que na idade neonatal. Em conjunto, esses resultados sugerem que a expressão das subunidades e a atividade do proteassoma são regulados de forma dependente da idade. Este, foi o primeiro estudo a investigar o sistema de degradação de proteínas em cérebros de ratos neonatos e também, o primeiro a estudar as subunidades do proteassoma comparando as idades neonatal e adulta. A exposição ao ferro no período neonatal produz efeitos nocivos duradouros sobre o funcionamento do sistema ubiquitina-proteassoma, que pode estar relacionado com a deficiência de memória induzida pelo ferro, fornecendo evidências de que esse sistema pode ser considerado um alvo para o tratamento dos déficits de memória.
Source: Americanae (AECID Library)
Author: Luciana Silva Figueiredo
Language: Portuguese
Topic: Memory and Neural Mechanisms
Subfield: Cognitive Neuroscience
Field: Neuroscience
Domain: Life Sciences
Open Access status: green
OpenAlex ID: W1854791766
