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A paisagem, espelho de uma civilização

Year: 2009
Type: article
Abstract: A Paisagem, Espelho de uma CivilizaçãoEm uma das conferências que em 1938 acompanharam o clássico Salão de Maio, um de meus colegas teve a extrema gentileza de preparar, indiretamente, o começo desta conferência: tratava-se dos impressionistas franceses do século XIX e dos paisagistas holandeses do século XVII, e o meu eminente colega expunha, com engenho, que a arte dos segundos parecia-lhe mais completa do que a técnica dos primeiros, não por motivos puramente estéticos mas porque as paisagens de Ruysdael e Ver Meer de Delft exprimem também a civilização dos Países-Baixos naquele século; volumes e cores são reflexos da vida econômica e social neerlandesa nas proximidades de 1650 e o amarelo da parede de Bergotte seria como que a expressão pictórica do ouro de Amsterdam.Reconheço bem a minha ousadia em passear os meus pesados tamancos de geógrafo nos delicados jardins da pintura; apossando-me, entretanto, da idéia expressa no Salão de Maio, surge-me naturalmente uma pergunta: por que, na mesma época, enquanto Poussin coloria paisagens que são apenas belas, seus contemporâneos dos Países Baixos pintavam paisagens phtrias, exprimindo ao mesmo tempo, toda a civilização delas.Será porque os campos holanmdeses com seus moinhos de vento, seus canais onde deslizam navios chegados do fim do mundo, têm virtude especial?A história e o método de trabalho do historiador de hoje podem levar-nos a uma explicação: para julgar-se uma obra humana é necessário recolocá-la no seu meio histórico e, da mesma maneira pela qual os historiadores da Reforma procuram compreender o que a obra de Erasmo representava para seu tempo, o que lhe per-*
Source: GEOgraphia
Language: Portuguese
Subfield: Museology
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W1867188722
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