Year: 2006
Type: article
Abstract: Fruto do encontro do Grupo de Trabalho "Modos de governar: política, negócios e representações do Império Português ao Império do Brasil", vinculado à Associação Nacional dos Professores de História (ANPUH) e coordenado por Maria Fernanda Bicalho, de pesquisadores da Cátedra Jaime Cortesão e de profissionais convidados, os trabalhos reunidos em Modos de Governar foram primeiramente apresentados no Simpósio Temático de mesmo nome, ocorrido no XXIII Encontro Nacional da ANPUH, em 2003, em João Pessoa, na Paraíba.A obra é um bom exemplo de como o debate acadêmico se constrói exatamente pela diversidade e não pelo caminho fácil da unanimidade, esse já suficientemente criticado por ser pouco inteligente.Não se trata aqui de conciliar o inconciliável, mas de atestar o vigor dos estudos históricos exatamente pela capacidade que seus autores tem de despertar polêmica, de admitir as arestas e de faze-lo reincorporando ao nosso campo de pesquisa a análise interpretativa.O artigo de Silvia Hunold Lara, "Conectando historiografias: a escravidão africana e o Antigo Regime na América portuguesa", que abre a primeira parte do livro, apresenta uma série de considerações que podem nos acompanhar na leitura de boa parte dos trabalhos reunidos em Modos de Governar.Após uma breve análise de como o tema do exercício do poder político e da administração colonial foi abordado na historiografia do século XIX e das primeiras décadas do XX, a autora observa que a partir de 1930, os chamados "intérpretes" do Brasil, com destaque para Caio Prado Júnior, fizeram a crítica da Administração portuguesa na América a partir de uma perspectiva liberal.Assim, identificaram na ausência de divisão de poderes e na sobreposição de competências dos órgãos administrativos -a imagem cunhada por Caio Prado é a de que a administração colonial constituía-se em um cipoal -uma total ausência de racionalidade da Monarquia portuguesa em relação à gestão de seus domínios.Pois é no artigo de Pedro Cardim que se encontra um dos exemplos mais acabados de como a crítica ao modelo liberal de interpretação dos modos de governar no Antigo Regime Português vem sendo realizada em bases fecundas, permitindo a apreensão, sem anacronismos, de sua lógica de funcionamento.Partindo das disputas entre os altos funcionários do então recém-criado Conselho Ultramarino (1642) e do Desembargo do Paço, o autor desvenda as bases da organização do poder na metrópole portuguesa e nas partes do Império.Após indicar a ausência de separação entre administração e justiça, no exercício do poder no Antigo Regime em razão da supremacia da matriz jurisdicional que acomodava os interesses particulares e os do Rei, o autor demonstra como em um contexto de mudanças, marcado pela centralização do poder monárquico, se multiplicam os conflitos entre os diferentes órgãos de governo.Outra importante contribuição para o entendimento da racionalidade própria ao "governo"
Source: Almanack
Author: Andréa Lisly Gonçalves
Institution: Universidade Federal de Ouro Preto
Language: Portuguese
Topic: History of Colonial Brazil
Subfield: Anthropology
Field: Social Sciences
Domain: Social Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W1968616440
