Year: 2006
Type: article
Abstract: A volubilidade e o ecletismo, como características congênitas da tradição visual brasileira moderna, foram interrompidos pela constituição de um sistema visual em torno do abstracionismo geométrico.Diante desses componentes históricos, qual o caráter do recurso à imagem e a elementos visuais de origens díspares, promovido pelo movimento da "Nova Figuração" (1965)?Centrando sua argumentação nos trabalhos de Antonio Dias, no ensaio de Hélio Oiticica para o catálogo da "Nova Objetividade Brasileira" (1967) e no balanço do Seminário Marx, por um dos seus protagonistas (Roberto Schwarz), o texto abaixo propõe que a NF, longe de implicar a restauração do ecletismo, consolida o recém-criado sistema visual brasileiro e implica a intensificação do seu "atrito com a realidade".Esse movimento traz, assim, uma constelação de questões novas, que tornou anacrônico após 1964 o campo da abstração geométrica, ligado ao "nacional-desenvolvimentismo".Desejo de consumo, internacionalização e radicalização das lutas são elementos da síntese nova mediante a qual NF e NOB desdobram o programa descolonizador implícito na formação do sistema visual brasileiro moderno, alcançada em meados da década anterior.A tendência estrutural à volubilidade e ao ecletismo da cultura brasileira -vide das culturas periféricas, em geral -se traduz na ausência de uma trama intensa ou de uma causalidade interna, para usar o termo de Antonio Candido 1 ; ausência cuja contrapartida demanda o longo, difícil, tardio e hoje incompleto processo que Paulo Emílio Sales Gomes cunhou como a "penosa construção de nós mesmos" 2 .Isso posto, podemos perguntar: em que medida a negação da ordem precedente, posta pela Nova Figuração, corresponde a uma causalidade interna e, desse modo, dá continuidade ao sistema visual brasileiro moderno, originado na década anterior e nucleado em torno das vertentes geométricas; ou, ao contrário, meramente assinala um lapso na causalidade interna, uma recaída na volubilidade e no ecletismo, vale dizer, na série das sucessões disparatadas, característica da tradição visual brasileira?O que o confronto dos trabalhos das tendências geométricas, que se desenvolvem ao longo da década de 1950 e no início da década de 1960 (principalmente, concretos e neoconcretos), de um lado, e da Nova Figuração (1965), de outro, revela acerca do teor da negação do paradigma geométrico pela Nova Figuração?Encontra-se uma diferença de substrato entre os trabalhos de Dias e os da geração precedente.Por exemplo, a interação que as esculturas neoconcretas de Amilcar de Castro (1920-2002) mantêm com a dimensão horizontal do entorno, para o qual se abrem e que incorporam, é altamente significativa e constitui um dos seus eixos geradores de sentido.
Source: ARS (São Paulo)
Author: Luiz Renato Martins
Language: Portuguese
Topic: Art, Politics, and Modernism
Subfield: Visual Arts and Performing Arts
Field: Arts and Humanities
Domain: Social Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W1977187707
