Year: 2009
Type: article
Abstract: ❙❙ CRÍTICA 219 É consenso que as palavras de um autor sobre a sua própria obra não devem ser tomadas como diapasão único para o seu julgamento; no entanto, podem oferecer boas pistas para a formulação de estratégias de leitura.Em uma de suas muitas entrevistas, Lobo Antunes viuse diante de duas perguntas bastante complexas justamente porque simples e diretas.A certa altura, a entrevistadora perguntou: "E você, o que quer contar?Aonde quer chegar?".Lobo Antunes, por sua vez, não se furtou às perguntas, assumindo a via da falsa modéstia, e respondeu, também diretamente: "O que pretendo é transformar a arte do romance, a história é o menos importante, é um veículo de que me sirvo, o importante é transformar essa arte, e há mil maneiras de fazêlo, mas cada um tem de encontrar a sua" 1 .Descontada uma possível interpretação irônica que poderia ser feita tanto das perguntas como da resposta, o caso é interessante, pois traz à baila questões antigas sobre o conteúdo e a forma da obra literária.Quais são os temas de que trata Lobo Antunes em suas narrativas e de que modo os apresenta?Por mais assentada que seja a noção de que em literatura a forma gera o conteúdo e vice-versa, o que resulta numa certa indistinção entre ambos os termos, as perguntas sobre um ou sobre outro não deixam de surgir a partir de uma distinção que parece estabelecer-se a priori.Contudo, as respostas a essas perguntas acabam sempre apontando para uma impossibilidade de distinção.
Source: Novos Estudos - CEBRAP
Author: Luís Fernando Prado Telles
Institution: Centro Universitário FACAMP
Language: Portuguese
Subfield: Literature and Literary Theory
Field: Arts and Humanities
Domain: Social Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W1998651616
