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Ecologia das doenças infecciosas e parasitárias

Year: 1989
Type: article
Abstract: Fernando Dias de Ávila-Pires* O homem ocupa, indiscutivelmente, um lugar de destaque na natureza.A possibilidade de investigar, racionalizar, abstrair, construir modelos teóricos e de registrar e transferir a outras gerações a experiência individual e social acumulada constitui um mecanismo exclusivo de herança não-genética, o qual lhe permitiu elevar-se muito acima das demais espécies com que convive na biosfera.Não está, contudo, longe de seus antepassados, o que revela na sua constituição biológica e demonstra no instinto primitivo de agressão, o qual, segundo alguns etologistas, constituiu o fator primordial de sua evolução, durante a fase de diferenciação incipiente.Sua atitude frente aos fenômenos naturais, como a doença, é de violência cega e irracional: "luta" contra a peste, "combate" a tuberculose e "move guerra" aos patógenos e seus vetores.Racionalmente, o homem compreende que é um elemento integrante do grande ciclo biogeoquímico da biosfera, mas, em geral, age como se fora o centro do universo.Do ponto de vista ecológico, o domínio da terra pelo homem constituiu um problema para as demais espécies.Nos últimos cem anos ele adquiriu o poder de influir, decisivamente, na constituição e equilíbrio dos ecossistemas, de alterar os padrões de distribuição biogeográfica de macro e microorganismos, e de alterar o ritmo dos processos de evolução da crosta terrestre e da biosfera.Erosão, poluição e extinção de espécies de plantas e animais constituem fenômenos naturais.Mas sua desorganização e aceleração, como subproduto das atividades humanas e, em especial, do ritmo do progresso tecnológico acelerado, comprometem a estabilidade do sistema ecológico de maneira irreversível.A colonização tem-se revelado um processo desordenado de desagregação de ecossistemas nativos e de imposição de modelos que não levam em conta peculiaridades regionais e vocações ecológicas.As alterações que o homem introduz nessas áreas abrem caminho à adaptação de espécies silvestres às condições domiciliares e ruderais.A fauna comensal e doméstica eleva o potencial trófico local e estimula o incremento de populações de vetores e parasitos.E as facilidades de transporte e comunicação facilitam a expansão das áreas de distribuição das grandes endemias.
Language: Portuguese
Field: Medicine
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W2005894036
FWCI:
Cites: 18
Cited by: 2
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