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O homem sem memórias: nova edição comentada do Fausto II

Year: 2007
Type: book-review
Abstract: A TRAGÉDIA do Fausto, esse arquivo abrangente de formas e motivos literários no qual o velho Goethe tentou resgatar três milênios da história humana, abundam os paradoxos.Um deles é que a tragédia termina de maneira pouco trágica, e outro é que nos defrontamos com um protagonista praticamente isento de memória individual.Se algo distingue claramente esse Fausto (freqüentemente chamado de paradigma do homem moderno) do Ulisses (o outro grande modelo da subjetividade ocidental), é essa capacidade de esquecer seu passado.O ardiloso herói grego somente perdura em todas as peripécias da viagem forçada porque vive, nele, a memória da sua procedência e ela lhe serve, ao mesmo tempo, como meta: a esposa e o lar, sua identidade de ser rei de Itaca.Trata-se de um caminho circular, enquanto Fausto apresenta uma trajetória essencialmente linear e seu alvo final permanece vazio em cada uma das etapas.O feiticeiro renascentista nunca dirige os olhos para trás desde que se entregou "ao delírio, ao mais cruciante gozo" na aposta com aquele gênio "que sempre nega", de nome Mefistófeles.Esse homem não acredita que um dia irá dizer ao momento: "Oh pára! és tão formoso!", e muito menos se dedicará à recordação.É programática, nesse sentido, a cena inicial da "Segunda parte" da tragédia.No fim da "Primeira parte", ele abandonara sua amante no cárcere, culpada de assassinar seu filho e aguardando a decapitação.Agora Fausto encontra-se deitado "num prado florido" para ser liberado "das visões de negrura", por meio de um sonho "terapêutico" que elimina todas as lembranças da vida anterior, de Margarida e da culpa que cairia inevitavelmente sobre o herói.Nos cinco atos que se seguem, ele vai correr de aventura a aventura, por espaços de escala momumental e pela profundidade da história, sempre fitando rigorosamente para a frente, sendo "sua parte imortal", finalmente levada às alturas celestes pelos anjos, atraído pelo "Feminil-Imperecível".Essas últimas citações provêm da grande tradução do Fausto II empreendida por Jenny Klabin Segall entre 1938 e 1967, o ano da sua morte.O trabalho "admiravelmente absolutista e intolerante" (Sérgio Buarque de Holanda) foi publicado em várias edições e saiu agora de forma revisada e comentada por Marcus V. Mazzari, acompanhado do texto alemão, uma bibliografia essencial e desenhos de Max Beckmann.A Editora 34 complementa assim sua "Primeira parte" do Fausto produzida em 2004 com o mesmo tipo de aparato.Juntos, os dois volumes chegam a mais de 1.
Author: Helmut Galle
Language: Portuguese
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W2015461090
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