Year: 2014
Type: article
Abstract: VERONICA STIGGER mostra como a Experiência n° 3 do artista não se limita a seu caráter emancipatório Era quinta-feira, 18 de outubro de 1956, por volta das três horas da tarde, quando Flávio de Carvalho desfilou pelas ruas do centro de São Paulo com o traje que havia concebido para o homem dos trópicos.Como o evento havia sido anunciado à imprensa, uma pequena multidão, entre jornalistas e curiosos, esperava-o descer de seu escritório na rua Barão de Itapetininga.Dali, o desfile, acompanhado de perto por um número a cada instante maior de pessoas, seguiu pelas ruas Marconi e Sete de Abril, pela praça Ramos de Azevedo e, depois, de volta para o local de onde partiu.Numa época em que os homens vestiam obrigatoriamente calças compridas, camisa e terno (até mesmo os meninos, como podemos ver nas várias fotografias da caminhada), o que mais chamava a atenção na indumentária proposta por Flávio de Carvalho era a incorporação da saia ao guarda-roupa masculino."Na verdade", escreveu Manuel Bandeira na ocasião, "se tivéssemos juízo e coragem, adotaríamos o traje inventado por Flávio de Carvalho."Mas acrescentou: "Como não temos, chamamo-lo de louco e vaiamo-lo".[1]A confecção do traje era resultado de uma longa reflexão sobre a moda que Flávio vinha desenvolvendo em artigos publicados no Diário de São Paulo, na sua coluna Casa, Homem, Paisagem, sob o título A moda e o novo homem, entre 4 de março e 21 de outubro daquele ano.Após o desfile, Flávio de Carvalho foi até a sede dos Diários Associados,
Source: Celeuma
Author: Veronica Stigger
Language: Portuguese
Subfield: Museology
Field: Arts and Humanities
Domain: Social Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W2016004175
