Year: 2008
Type: article
Abstract: JOSÉ VAIDERGORN * desejo de influência preponderante da religião sobre o Estado e a sociedade não é novidade no Brasil.Depois do Império, onde o padroado estabeleceu o vínculo entre o poder monárquico e o catolicismo como religião oficial, a República, mesmo estando constitucionalmente separada da Igreja, desta sempre sofreu, de forma mais ou menos explícita, a pressão ideológica pelo comando de corações e mentes de seus cidadãos.Nos tempos mais recentes, de recrudescimento do fundamentalismo religioso de diversas confissões em todo o mundo (com a conseqüente intolerância que legitima a violência e o terror contra os inimigos de sua fé), a disputa entre as crenças ocupa cada vez maiores espaços.Em suas devidas peculiaridades, o Brasil faz parte desse movimento, e a educação é dele parcela estratégica.Nesse aspecto, é possível traçar uma linha de continuidade desde a República Velha, que passa pelo período da ditadura getulista, pelo interregno democrático de 1945 a 1964, pela imposição da infame Educação Moral e Cívica na ditadura militar, até chegar à concorrência religiosa nas escolas públicas em pleno regime democrático. 1 As concessões atuais se verificam desde o preâmbulo da Constituição em vigor, promulgada "sob a proteção de Deus".O comprometimento do Estado laico com as influências religiosas no âmbito educacional se mostra, por exemplo, no parágrafo 1º do artigo 210 da Constituição ("O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá
Source: Cadernos CEDES
Author: José Vaidergorn
Institution: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Language: Portuguese
Subfield: Education
Field: Social Sciences
Domain: Social Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W2017019411
