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Conexões, atores, políticas sexuais e cidade

Year: 2012
Type: article
Abstract: As pesquisas que originaram este artigo contaram com apoio do CNPq e da Pró-Reitoria de Pesquisa da Unicamp, via PIBIC/Unicamp.Adota-se como convenção que todas as categorias êmicas, sejam oriundas do vocabulário do movimento, das políticas públicas ou de gays, lésbicas, bissexuais, travestis ou transexuais entrevistados para pesquisas específicas, serão grafadas em itálico.As aspas são reservadas para citações diretas no corpo do texto, conceitos e categorias aproximativas utilizadas pelos autores.Agradecemos às sugestões de Isadora Lins França a este trabalho.1 O que se convencionou chamar de movimento LGBT nos dias de hoje, ou seja, o movimento político em torno dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, teve seu início no Brasil no final da década de 1970 com a criação do grupo Somos (MACRAE, 1990;SIMÕES; FACCHINI, 2009).Desde então, o Movimento LGBT se tornou um dos movimentos sociais mais visíveis no cenário político brasileiro.Como sinais dessa visibilidade, temos a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, considerada a maior manifestação desse tipo no mundo, mas também a inserção das demandas de LGBT na agenda política nacional, marcada especialmente pelo lançamento do Programa Brasil Sem Homofobia, em 2004 (FACCHINI;FRANÇA, 2009). 2 No âmbito do desenvolvimento de políticas públicas para LGBT, é digna de nota a organização e a realização das Conferências Nacionais de Políticas para LGBT.A primeira Conferência Nacional de Políticas para LGBT foi aberta na noite do dia 5 de junho de 2008, pelo Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (FACCHINI; FRANÇA, 2009).A segunda foi realizada entre os dias 15 e 18 de dezembro de 2011 na capital do país.(HAILER, 2011; BRASIL, 2011).Conexões, atores, políticas sexuais e cidade Ponto Urbe, 10 | 2012 1 3Outro acontecimento recente que reforçou a visibilidade da "comunidade" LGBT foi o julgamento, em 2011, de uma "Ação Direta de Inconstitucionalidade" e de uma Ação Direta de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) pelo Supremo Tribunal Federal (STF).No julgamento dessas ações -propostas pelo Procurador-Geral da República e pelo Governador do Estado do Rio de Janeiro, respectivamente -os ministros do Supremo decidiram por unanimidade que se excluem quaisquer interpretações da norma constante no artigo 1.723 do Código Civil 1 , que impeçam o reconhecimento de uma relação contínua, pública e duradoura entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar; a partir de então, esta passa a ser "entendida como sinônimo perfeito de família".2 4 Destarte, a produção de estudos sobre esse movimento social tem crescido nos últimos anos.A maior parte dessas pesquisas, no entanto, refere-se à análise de organizações situadas em capitais, como é o caso de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre 3 .Este artigo é fruto de pesquisa de iniciação científica, realizada entre 2010 e 2011, propondo explorar possíveis particularidades que essa modalidade de ativismo pode assumir em cidades do interior. 5A cidade escolhida para a realização da pesquisa foi Campinas.Faremos um breve parêntese para apresentá-la, visto tratar-se de uma cidade do interior que carrega especificidades, como se verá adiante.6 Campinas dista 100 km de São Paulo, capital do estado homônimo.É ligada à capital por duas grandes rodovias e é sede do Aeroporto Internacional de Viracopos.De acordo com o último censo do IBGE em 2010, a população é de 1.080.113habitantes, distribuídos em uma área de 795,004 Km², é a terceira cidade mais populosa do Estado, ficando atrás apenas da capital e de Guarulhos.Portanto, uma cidade do interior de grande porte.É sede da Região Metropolitana de Campinas, criada em 19 de junho de 2000, através da Lei Complementar Estadual nº 870.A região é formada por 19 municípios, com população estimada em 2,7 milhões de habitantes.4 Além disso, o município conta com duas grandes e importantes universidades do país, a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP) e a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), motivo pelo qual recebe um grande número de pessoas, que chegam todos os anos para dar início ou complementar a sua formação universitária.7 A cidade conta com diversos espaços de sociabilidade GLS (sigla mercadológica utilizada para se referir a lugares frequentados por gays e lésbicas), como bares e casas noturnas, localizados nos mais variados lugares.8 Além de ser uma cidade universitária de grande porte, sua escolha levou em conta o fato de ter sido a primeira a implementar um serviço público especializado no atendimento e apoio a LGBT no Brasil, o Centro de Referência GLTTB do município, inaugurado em 31 de julho de 2003 pela Prefeitura Municipal de Campinas.A pesquisa focalizou a trajetória e relações do grupo Identidade, o grupo ativista LGBT mais antigo em atividade do município.9Esta pesquisa é de caráter etnográfico: contou com observação de reuniões de ativistas, protestos e atividades organizadas pelo grupo.Foram realizadas seis entrevistas em profundidade 5 .O site e o blog do grupo 6 também foram analisados.Com a análise das atividades, mensagens, vídeos e notícias contidos tanto no site quanto no blog, foi possível cotejar o material produzido por meio de observação etnográfica e entrevistas, de modo a adensar a análise.
Source: Ponto Urbe
Language: Portuguese
Subfield: Gender Studies
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W2048142013
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