Work

Ontologia da liberdade na rede. A guerra das narrativas na Internet e a luta social na democracia

Year: 2010
Type: article
Abstract: La traduction en français de cet article est disponible en libre accès sur le site de la revue Multitudes : http://multitudes.samizdat.netNa década de 1990, o uso da Internet, associado às dinâmicas de produção e consumo de portais, transformou a rede num enorme laboratório da publicidade.E, de certa forma, a dinâmica de fragmentação, legitimada pela infinidades de redes de pequenos mundos centralizados, empurrava a web para uma experiência majoritariamente baseada no download de sites, que deveriam -dentro da utopia de felicidade eterna da nova economia -se revelar, antes, como start ups de modelos empresariais do capitalismo de risco.A Internet de hoje se transmutou, sem dúvida.A atuação social, a mobilização e o engajamento viraram um valor da rede, contrapondo aquele pensamento de felicidade eterna da web comercial, que contaminava a economia e a política daqueles anos.O que faz estar na ordem do dia a discussão sobre o embate do poder da TV com o poder do You Tube.Ou então o debate sobre o poder dos jornais e o poder dos blogs.A lista poderia se alongar inutilmente, pois o que está se discutindo é o poder das mídias irradiadas de massa em relação às mídias distribuídas de grupo.Hoje cada vez mais se explora e se esgarça o confronto entre os veículos da informação massiva e as interfaces da comunicação coletiva.Até bem pouco tempo atrás se podia ouvir os formadores de opinião falar com desdém nas entrevistas que nos blogs só se escrevia para si mesmo.Hoje, depois do estremecimento provocado na mídia corporativa pelo crescimento da prolífica produção blogueira, o pouco caso de tal comentário só poderia despertar gargalhadas por sua infelicidade e cegueira.O fato é que a mídia irradiada vem sofrendo sucessivos e inesperados revezes em áreas onde, antes, o seu domínio tinha por limite o orçamento monetário de quem a contratava.Cada vez mais ela vê seu lugar de mediadora social Association Multitudes | Téléchargé le 05/08/2026 sur https://shs.cairn.info(IP: 181.214.86.249)Paradoxical Utopia 185 da opinião pública ser denunciado e rejeitado por partes significativas das grandes massas, que antes se deixavam de bom grado representar (Rushkoff, 1999).Daí que, por ora, há todo um conjunto novo de disputas e conflitos sobre a produção e a regulação da liberdade na Internet, na medida em que todo o valor capitalista está radicado em fazer os conectados livres permanecer dentro de limites programáveis e de conexões pré-estabelecidas, para recolher destes toda a sua produção social.É o paradigma de produção colaborativa do "tudo é meu" (Malini, 2008).Na contra mão deste movimento, há todo um movimento que visa inflar de liberdade a rede, a partir da disseminação de dispositivos que aceleram a socialização e o compartilhamento de conhecimentos, informação e dados, seguindo novos modelos de direito público, abrindo um conflito com a governança capitalista da liberdade na rede.A discussão sobre a transformação produzida pela Internet no modelo centralizado de produção e comunicação massiva remonta ao final dos anos 80 e início dos 90.Mas a discussão sobre o que será chamado de Web 2.0, por Tim O'Reilly (2005) emerge na virada do milênio quando o sítio, posteriormente transformado em livro, chamado Cluetrain Manifest -ainda sob o impacto da manifestação de Seattle de novembro de 1999 -resolve encarar o desafio de conversar sobre a mudança na comunicação e nos negócios a partir do surgimento de um público auto organizado e participativo.O consumidor tornara-se um usuário cada vez mais exigente, capaz de interagir e se comunicar através da Internet usando os mais diferentes tipos de dispositivos de comunicação.A mediação da publicidade ou dos grandes mídia estava sendo trocada pelas interações e recomendações obtidas através das redes sociais (Levine, Locke, Searls & Weinberger, 2000).A mediação tinha fugido da mão dos grandes mediadores e agora estava embutida no código das interfaces através dos protocolos (Galloway, 2004), programas (Lessig, 1999) e agentes (Johnson, 2001), privilegiando os processos interativos de parceria informal dos sistemas peer-to-peer típicos das redes sociais (Bauwens, 2002; Minar & Hedlund, 2001).A conversa no Cluetrain Manifest realinhava toda essa temática, pensando a comunicação na Internet como uma profunda transformação nas relações entre público e empresas.O público estaria farto dos caras de pau risonhos que impulsionam a venda nas televisões e desconfiaria cada vez mais do que as empresas lhe endereçariam através dos canais de propaganda e marketing.A Internet teria emponderado uma demanda de participação, produção e honestidade incompatíveis com as comunicações invasivas e unilaterais (Levine, Locke, Searls & Weinberger, 2000).Esse artigo visa, em retrospectiva, analisar os fundamentos políticos que regem os discursos de liberdade que são disseminados pelos atores que constroem a Internet de hoje e de ontem.Esta análise visa extrair um modo de compreender a economia do poder em disputa, instaurada pelos diferentes atores em conflito da sociedade em rede.Para tanto vamos avaliar os processos de narração coletiva dos acontecimentos públicos, entendidos como laboratórios dessas disputas.Desta avaliação vai emergir que as novas narrativas multitudinárias vão fazer a passagem do modelo informacional das mídias, que privilegia a acumulação quantitativa proprietária de elementos, para o modelo comunicacional das multi-mídias, que privilegia a coordenação da ação coletiva nos movimentos.
Source: Multitudes
Language: Portuguese
Subfield: Communication
Open Access status: bronze
OpenAlex ID: W2092380068
FWCI: 1.11
Cites: 4
Cited by: 3
Related to: 10