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Saúde: a cartografia do trabalho vivo

Year: 2008
Type: article
Abstract: Cartografando na saúde os "inconscientes que protestam"Foucault 1 chamava atenção para a emergência, desde o século XIX, de uma nova tecnologia de poder que funciona tomando "posse da vida desde o orgânico ao biológico".Ele a denomina de biopolítica e mostra que ela se exerce tomando a população.Já não toma mais o corpo para individualizar, docilizar e disciplinar, mas o toma para operar uma individualização que recoloca os corpos nos "processos biológicos de conjunto", como fenômenos coletivos que só ganham pertinência no nível das massas.Apesar de funcionar de modo inverso às antigas tecnologias de poder da soberania -expressas na vontade e no direito do soberano de "fazer morrer e deixar viver" -e da disciplina -que rege a multiplicidade dos homens para torná-los individualidades a serem controladas, treinadas e vigiadas -, o biopoder não as apaga.Ele as conjuga, "penetrando-as, perpassando-as e modificando-as" e, em seu exercício de "fazer viver e deixar morrer" toma a vida do homem como ser vivo, como espécie.Do ponto de vista biopolítico, esses processos de intensificação da vida estão incondicionalmente conjugados aos processos de ativação das forças produtivas e de sua reprodução, pois o modo de produção capitalista, hoje, materializa-se não só em toda a sociedade e em todas as relações sociais, mas também, e, primordialmente, no governo da "natureza humana" e da vida em sua virtualidade.Os afetos, o conhecimento, o desejo são fortemente incorporados ao atual regime de acumulação capitalista.O funcionamento generalizado do poder no "capitalismo mundial integrado" 2 vai ser apontado, por Negri & Hardt 3 , como uma nova forma de soberania chamada Império.O império é sem limites e sem fronteiras em vários sentidos, desde o englobar a totalidade do espaço-mundo, apresentando-se como ordem a-histórica, eterna, definitiva, até a penetração na vida das populações, nos seus corpos, mentes, inteligência, desejo e afetividade.Ele se encarrega positivamente da produção e da reprodução da própria vida organizando a totalidade das atividades da população.Prolongando a intuição foucaultiana sobre o biopoder, os autores mostram que o poder agora não é mais restritivo, punitivo e não se exerce verticalmente, mas sob a forma de uma rede horizontal esparramada, entrelaçada ao tecido social e à sua heterogeneidade, articulando singularidades étnicas, religiosas minoritárias, e requerendo, com isto, novas modalidades de controle e primordialmente de luta.É nesse campo de exercício dos poderes: as ciências, o capital, o Estado, a mídia, em seus hibridismos
Language: Portuguese
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W2109837090
FWCI: 1.155
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