Year: 2012
Type: article
Abstract: PhD pela universidade de stanford.3 Este estudo faz parte de um projeto maior, intitulado Cidades submersas: Paisagem, História e Memória das enchentes no rio de Janeiro e em Buenos Aires no século XX (décadas de 1900 a 1960), financiado pela FaPErJ, e conta com a colaboração de aline Januário (PiBiC/CNPq/uFrJ) e lilia das Neves.DOSSIÊ: "HISTÓRIA, NATUREZA, CULTURA E ORALIDADE" 222 maia, andréa Casa nova; sedRez, lise.Narrativas de um Dilúvio Carioca: Memória e Natureza... Agora você veja, é um problema social.Porque devemos conscientizar as pessoas que, apesar delas não verem o rio que está passando, está passando um rio aqui por baixo... Se embaixo não dá para passar, vai começar uma enchente... Herenice Auler, entrevista gravada pelas autoras em 15 de fevereiro de 2012a memória ambiental da cidade maravilhosa, para seus moradores, é composta por bem mais do que praias, florestas e montanhas.Ela passa pela vivência do espaço construído e, neste, a chuva é um dos elementos que cariocas compartilham no ir e vir cotidiano do rio de Janeiro.Ela passa também pelo "horror" da cidade paralisada, alagada, submersa, pelos deslizamentos dos morros, pela memória dos temporais de verão.Este artigo busca responder a duas inquietações iniciais de pesquisa.a primeira, teórica, diz respeito às relações entre história ambiental e história oral.Nosso objetivo aqui é sublinhar a importância da história oral para a escrita de uma história ambiental urbana, consonante com o debate contemporâneo sobre os rumos da história ambiental, a saber, conduzido por historiadores como William Cronon (1991) e Martin Melosi (2000).Nossa segunda inquietação, de caráter mais empírico, diz respeito à história própria da cidade do rio de Janeiro, ou seja, como a população viveu a experiência das enchentes ao longo do século XX.Em especial, a da enchente que marcou a memória da cidade em 1966.Em plena ditadura militar, no Estado na Guanabara, o governo de Negrão de lima representava a oposição carioca aos militares.Margeando, porém, as disputas políticas, a enchente de 1966 evidencia uma rede de solidariedade inusitada.havia um dilúvio, e não havia uma arca para abrigar Noé. a arca deveria ser construída debaixo de chuva -e foi construída pela população, pelo Estado e por instituições públicas e privadas.Nosso artigo procura entender esse "processo construtivo" da "arca", isto é, como a cidade reagiu a um fenômeno natural que se tornou uma crise social: a Grande Enchente de 1966.É essa "construção" que nos permite entender os diversos projetos para a cidade.Mais ainda, importa aqui investigar como a cidade construiu distintas relações com a natureza, reais e imaginárias.a chuva funciona como um fio condutor para entender as relações entre história, memória e natureza no rio de Janeiro do século XX. a chuva, parte de um processo natural de ciclos de água, tão antigo quanto a própria terra, cai em um espaço produzido, como definia lefebvre (1991), que abriga relações humanas maia, andréa
Source: História Oral
Authors: Andréa Casa Nova Maia, Lise Sedrez
Language: Portuguese
Subfield: Sociology and Political Science
Field: Social Sciences
Domain: Social Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W2115660920
