Year: 1956
Type: article
Abstract: QUESTõES PEDAGÓGICAS NOÇÕES SOBRE NUMISMÁTICA (*).O QUE E' NUMISMÁTICA.SUA DEFINIÇÃO -POSIÇÃO ENTRE AS CIÊNCIAS.DIVISÕES DA NUMISMÁTICA.NUMISMÁTICA é a ciência que estuda a moeda de todos os povos e de todos os tempos, classificando-a, interpretando-a e descrevendo-a sôbre vários aspectos.Sua denominação provém de numus ou numisma, que significa em latimmoeda.Havendo objetos que pela sua utilidade e mais ainda, pelo seu feitio se assemelhavam às moedas, como as medalhas, os contos para contar, os tentos, senhas de presença, etc., a ciência moderna que tende para a especialização, ao contrário do que se fazia outrora em que tudo era material numismático, separou estas últimas das moedas própriamente ditas, em duas disciplinas da Numismática, embora tenham elas relações íntimas:Medalhística, o estudo das medalhas; Tesserologia, para os contos, tentos, etc., isto é, o estudo das pseudas moedas.A Numismática, tendo começado apenas por se ocupar das moedas antigas -alargou seu âmbito para estudar a moeda, isto é, tudo o que tenha servido em qualquer época, das mais remotas eras até aos nossos dias como estalão comparativo de Valor das permutas das sociedades humanas, em qualquer ponto da Terra.E' imprescindível ao numismata, possuir uma sólida cultura geral, nomeadamente histórica.O numismata, como especialista que é do estudo de uma determinada espécie de objetos, neste caso a moeda, que faz parte da vida do homem e desempenha papel preponderante nas relações comerciais, tem necessidade de enquadrá-la no meio histórico social onde nasceu e estudá-la como um produto que é do viver dos povos a que pertence.( ) .-Com êste número da Revista de História iniciamos a publicação das notas de aula do Curso de Numismática, ministrado -como professor-visitante -pelo Dr. Alvaro da Veiga Coimbra, presidente da Sociedade Numismática Brasileira, na Faculdade clé Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, curso êsse aberto aos alunos da Secção de História e como curso de extensão universitária aos demais interessados.Fazemos esta publicação, porque é pela primeira vez -ao que sabemos -que se faz um curso dessa natureza erra Univ.?.rsidade no Brasil, e também por ser de grande interêsse para o conhecimento dos nossos alunos (E.Simões de Paula).Revista de História n.o 25 -242 -Os primórdios da Numismática, cujo estudo podemos por isso dizer começou com o Renascimento, pelo gôsto que as antigüidades gregas e romanas despertaram nas elites nos fins da Idade Média e em que o nome do ilustre Petrarca (1304-1374) é apontado como um dos primeiros que acarinharam os velhos numismas, foram de início simples, como de um modo geral o de tôdas as outras ciências.Devem os primeiros estudos das moedas antigas a sua elaboração aos eruditos do Renascimento, como o Tractatus de Origine Monetarum de Oresmius (1385), a Miscellanea de Ângelo Policiano, aparecida em 1489, o Liber de Origine et Ratione Monetae, do Bispo de Worms (1503) e sôbre todos o célebre De Asse et Partibus Eius, de Guilherme Budeu, que data de 1515.Todos estes trabalhos, entretanto, como outros que se lhes seguiram nos séculos XVI e XVII, não constituem, todavia, nenhuma sistematização, pois tal apenas se deu no século XVIII, quando José Eckhel apresentou sua notável Doctrina Numorum Veterum, em 8 volumes, impresso em Vindobona (Viena), 1792-1798, que marcou o comêço de uma nova orientação nos estudos das moedas antigas.Esta obra admirável, padrão imorredouro dos estudos históricos, facultou à Numismática uma sólida doutrina, servida pelos métodos mais perfeitos e apropriados para o tempo, nomeadamente o que dizia respeito à ordenação das moedas, de maneira que a ciência passou desde então a ser cultivada com espírito científico, como ainda nunca tinha sido.Não tardou que outros trabalhos, insuflados pelo que escrevera Eckhel, viessem à público.E assim apareceram os trabalhos de Mionnet, Description de Médailles Antiques, em 18 volumes' (Paris, 1822-1847); de Théodore Mommsen, a Histoire de Ia Monnaie Romaine, tradução francesa em 3 volumes (1865-1873); de Henri Cohen, a Descriptior Generale des Monnaies de la Republique Romaine (Paris, 1857) e a Description Historique des Monnaies Frappes sous l'Empire Remam (Paris, 1859-1888); de Ernest Babelon, a Description Historique et Chronologique des Monnaies de la Republique Romaine (Paris, 1885-1886) em 2 volumes, a coleção dos magníficos Catálogos do Museu Britânico, das séries gregas, etc. Como se verifica pelos títulos dessas obras clássicas, o tema era também aquêle que desde o Renascimento ocupava quase exclusivamente a atenção dos eruditos, ou sejam as antigüidades gregas e romanas, passando despercebido a êsse movimento cultural dos séculos XIV e XV, o estudo da moedagem da Idade Média.Éstes período foi então classificado de "bárbaro" e assim denominado "gótico", como sinal daquele duro julgamento.Est. 1, t -V ictoria de Samotrácia Est.]. 2 -Tetradracma de Demétrio
Source: Revista de História
Author: Álvaro da Veiga Coimbra
Language: Portuguese
Subfield: Sociology and Political Science
Field: Social Sciences
Domain: Social Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W2164951785
