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Ver a terra: Seis ensaios sobre a paisagem e a geografia

Year: 2010
Type: article
Abstract: Jean-Marc Besse é filósofo e trabalha com a história e a epistemologia e com questões da paisagem e de ambiente na cultura contemporânea, na Universidade de Paris-I, na Escola Superior de Paisagem de Versalhes e no Instituto de Arquitetura da Universidade de Genebra.O livro Ver a Terra, lançado este ano no Brasil, com tradução de Vladimir Bartalini (FAU-USP), reúne seis ensaios do autor sobre a paisagem e a geografia, como o subtítulo indica.A questão colocada no livro de Jean-Marc Besse, e que nos abre a possibilidade de pensar a paisagem para além da história do conceito, é a emergência da experiência, da consciência e do sentimento de paisagem na modernidade.Fundamentalmente é esse processo que nos propõem de imediato e com relevo os ensaios de Besse, reunidos nesse livro, processo no qual se torna possível não apenas pensarmos em termos de paisagem o mundo e a nós mesmo, mas de existirmos como "sujeitos de paisagem7'.Por isso é um processo violento, segundo o filósofo, ainda que silencioso e lento.O primeiro ensaio versa sobre uma experiência descrita numa carta pelo poeta italiano Petrarca, em que relata e reflete sobre a subida que empreendeu ao Monte Ventoux.Besse discorre sobre os dilemas vividos pelo poeta através de sua relação com o espaço numa experiência paisagistica em que ressalta a ambigüidade da condição moderna de Petrarca.Através dessa experiência do poeta é possível perceber a situação de tensão e contradição vivida na transição para a modernidade, na qual a paisagem configura-se como uma noção a partir da qual se estabelece um distanciamento em relação ao mundo (a natureza contemplada por um olhar, um olhar curioso, desejoso de saber) e o confronto de modos de viver, pelos quais se opõem um sentido mais interior (espiritual) que desqualifica o espaço e um sentido mais exterior, que valoriza a posição e o deslocamento no espaço, e Petrarca vive esse dilema.Portanto, o relato dessa escalada não diz apenas de uma experiência em que Petrarca pratica e participa de um deslocamento no sentido físico, de um 4 deslocamento do olhar, que torna possível a experiência da paisagem, mas de um deslocamento epistemológico, no modo de interpretar e estar-ser-no-mundo.O segundo ensaio do livro assenta na questão da Terra como paisagem, analisando a relação entre a pintura de Brueghel e a Geografia.É um ensaio muito interessante, pois primeiramente Bresse busca demonstrar como a paisagem, antes de ser uma experiência ligada a um gênero de pintura, era primordialmente relacionada a uma experiência territorial e geográfica.Tinha, portanto, um sentido pragmático e instrumental no século XVI, relacionada à representação cartográfica, muito próxima das representações artísticas da pintura.A pintura e a corografia tinham em comum um objeto: a paisagem.Mas, ainda que ambas visassem o detalhe das áreas, definindo a paisagem pelo sítio, pela posição e vizinhança, a idéia da paisagem como horizonte ampliado passa a se formar nesse momento histórico.A idéia de Terra como uma "paisagem mundo" é posta pela geografia (cartografia e corografia) e pela pintura.Portanto, mudaram no início do sCculo XVI as condições e a forma de interpretação do mundo, mudando o sentido daTerra representada.Besse vai dizer
Source: GEOgraphia
Language: Portuguese
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W2232285331
FWCI: 38.69
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