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Narrative change in emotion-focused therapy: co-constructing innovative self-narratives

Year: 2012
Type: dissertation
Abstract: Segundo a perspetiva narrativa, a psicoterapia deve proporcionar a elaboração de novas experiências e de narrativas inovadoras face às narrativas inflexíveis e constritoras que os clientes usualmente apresentam no início do processo (e.g. Angus & McLeod, 2004; White & Epston, 1990). A noção de momentos de inovação (MIs) abrange estas novidades narrativas que aparecem como exceções às narrativas problemáticas (e.g. novas ações, sentimentos, pensamentos ou intenções; Gonçalves, Matos & Santos, 2009). Segundo esta premissa, Gonçalves, Matos e Santos (2009) desenvolveram o Sistema de Codificação dos Momentos de Inovação (SCMI – Gonçalves et al., 2011) que distingue 5 tipos de MIs (ação, reflexão, protesto, reconceptualização e desempenho da mudança) exibidos por clientes de terapia narrativa (TN – Matos et al., 2009). Depois deste estudo inicial, Gonçalves e colaboradores começaram a questionar se outros modelos de terapia poderiam suscitar a emergência de MIs, apesar de não estarem explicitamente focados na promoção da mudança narrativa (e.g. Terapia focada nas emoções/EFT – Mendes et al., 2010; Terapia centrada no cliente – Gonçalves, et al., 2011; Terapia construtivista – Alves et al., no prelo). Os resultados destes estudos indicam que a elaboração de MIs também ocorre noutras modalidades terapêuticas e evidenciam o importante papel da reconceptualização na distinção do sucesso terapêutico face ao insucesso (Gonçalves, Mendes et al, 2009; Matos et al., 2009; Mendes et al., 2010). Assim, tornou-se pertinente estudar intensamente como são desenvolvidos em terapia os MIs de reconceptualização. Dois aspetos são característicos: (a) o cliente reconhece um contraste no self, descrevendo-se como diferente do que era e (b) explica o processo de mudança. Como os estudos anteriores enfatizam sempre a mudança narrativa segundo a perspetiva do cliente, surgiu também a necessidade de compreender as contribuições do terapeuta. Deste modo, reanalisámos os dados de Mendes et al. (2010) de uma amostra de seis clientes deprimidos seguidos em EFT (York I Depression Project – Watson & Greenberg, 1998) e iniciou-se o conjunto de estudos sistemáticos desta dissertação. Os nossos objetivos eram: (1) compreender a transição para a reconceptualização e (2) os contributos dos terapeutas para a promoção da mudança narrativa em EFT. O primeiro estudo utiliza o HSS (Helping skills system – Hill, 2009) e o SCMI para explorar as intervenções terapêuticas (focadas na exploração, insight e ação) relacionadas com a ocorrência de MIs nestes casos de EFT. Os resultados indicam que todas as intervenções terapêuticas aparecem mais associadas a MIs nos casos de sucesso que nos de insucesso. As intervenções focadas na exploração e no insight aparecem associadas à ocorrência de MIs de ação, reflexão e protesto nas fases iniciais e intermédias da terapia e depois associadas aos MIs de reconceptualização e desempenho da mudança na fase final. As intervenções focadas na ação aparecem associadas aos MIs de ação, reflexão e protesto em todas as fases de EFT. O segundo e terceiro estudos focam-se em 3 casos de sucesso terapêutico, explorando intensamente nas sessões a transição para a reconceptualização e as contribuições terapêuticas para este processo. Os resultados mostram que a mudança narrativa não é linear e que esta transição pode ser bastante ambivalente. Além disso, a recursividade da reconceptualização em terapia permite a diferenciação qualitativa destas narrativas. Por sua vez, os terapeutas focam-se no desenvolvimento de uma metaposição (Leiman, 2004) nos clientes, que permite a resolução da ambivalência e a renovação de narrativas do self. O quarto estudo explora a diversidade de reconceptualização segundo a escala de assimilação de experiências problemáticas (EAEP – Stiles, 1999, 2001). A análise dos 108 MIs de reconceptualização presentes nesta amostra evidenciou que a maioria foi codificada entre os níveis 4 a 6 da EAEP. A mediana dos níveis da EAEP destes MIs é maior no grupo de sucesso terapêutico (face ao insucesso) e vai aumentando do início ao fim da terapia. O quinto e último estudo investigou o processo que vai da reconceptualização de um problema até à reorganização narrativa do self em EFT, através do método de task analysis (Greenberg, 2007). Seguindo um foco na díade terapeuta-cliente, o modelo racionalempírico descobriu 9 passos sucessivos: 1) Reconhecimento explícito de diferenças no presente e passos em direção à mudança; 2) Emergência de uma meta-perspetiva que contrasta o self no passado e presente; 3) Amplificação do contraste; 4) Apreciação positiva das mudanças; 5) Sentimentos de competência, mestria e autonomia, acompanhadas de validação terapêutica; 6) Referência a dificuldades ainda presentes; 7) Perda de centralidade dos problemas; 8) mudança como um processo gradual, em desenvolvimento; e 9) Novos planos, projetos e experiências de mudança. Por fim, os resultados dos diferentes estudos são integrados numa discussão final segundo 3 focos: cliente, terapeuta e diádico (Elliott, 1991).
Author: Carla Cunha
Language: English
Field: Psychology
Open Access status: green
OpenAlex ID: W2257588480
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