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Arqueologia e socialização do conhecimento: Indiana Jones, mostre‑nos o que sabes

Year: 2013
Type: article
Abstract: á algumas décadas o professor e escritor catalão Jorge Wagensberg almeja entender os processos de construção do conhecimento científico.Todavia, ao contrário do que alguns poderiam imaginar, o foco do autor não está ajustado apenas ao cotidiano dos investigadores acadêmicos; consagrados por seus cargos e prêmios.No viés oposto ao desta cena, Wagensberg volta-se também às crianças e adolescentes e aos seus possíveis prazeres advindos do complexo ato de aprender e ensinar.Para compreender o processo de produção do conhecimento científico, o professor rompe as barreiras dos laboratórios e das universidades, chegando ao que poderíamos chamar de vida cotidiana dos não acadêmicos.Um dos resultados dessas reflexões, estimuladas pela experiência do autor como diretor do museu de ciência CosmoCaixa, em Barcelona, foi a publicação, em língua espanhola, do livro El gozo intelectual (2007) (1).Mesclando observações sobre sua rotina, fórmulas matemáticas, conceitos da biologia, entre outros elementos, Wagensberg afirma: "Os três fundamentos [do processo de vivência e produção da ciência] são 'estímulo', 'conversa' e 'compreensão' ou 'intuição'" (2).Para ele, que, de certa forma, revaloriza o aprendizado através das vivências e dos sentidos -proposta já articulada por Paulo Freire (3) -, o conhecimento e a reflexão, compostos pelas inseparáveis prática e teoria, possuem um imenso peso ao "fabricar" a crítica (4).É claro que as instituições acadêmicas e de ensino, de uma forma geral, possuem um papel crucial na produção dessa crítica do mundo.Mas, é importante notar que, para o autor, ela não se inicia ou se finaliza aí.A formação da crítica, e mesmo da ciência, para Wagensberg, se dá a partir de um longo e divertido processo de "estímulo", "conversa" e "compreensão" ou "intuição" que são anteriores às experiências universitárias.Em outras palavras, o cientista não é formado apenas pela academia, e mesmo quem não passa pela experiência acadêmica também produz crítica e pode produzir ciência.Essa proposta geral nos redireciona a desafios que não são novos; como, por exemplo, a necessidade de romper com a valorização da "torre de marfim" e com uma educação puramente formalista descrita pelo filósofo Jean J. Rousseau (5).A recontextualização desses desafios podem nos levar a questões como: por que, como e para o que fazemos ciência?E, o melhor, com quem andamos fazendo ciência?Até mesmo se a ciência deve ser a principal lente pela qual vemos o mundo.A leitura do processo de produção do conhecimento científico feita por Wagensberg é bastante interessante para a arqueologia; ci-
Language: Portuguese
Subfield: Museology
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W2281657669
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