(In) Visibilidades: um estudo sobre o devir do professor-artista no ensino em artes visuais
Year: 2014
Type: dissertation
Abstract: trabalho.Peço desculpa por qualquer omissão ou erro causado inadvertidamente.As traduções presentes neste trabalho foram feitas de forma livre pelo autor, com exceção do abstract.A transcrição das entrevistas respeita a oralidade ao nível da construção frásica e da pontuação feita pelos artistas e alunos.RESUMO (In)visibilidades: um estudo sobre o devir do professor-artista no ensino em artes visuais assume-se como um exercício de autoanálise à formação do duplo que resultou da minha relação entre artista e professor de artes visuais, no terceiro ciclo do ensino básico e secundário.Uma ideia que se gerou enquanto docente de uma instituição de ensino particular e cooperativo que, no confronto com a minha visão de artista, desencadeou um conjunto de tensões ao nível da minha gestão social e política como professor de artes visuais, levando-me, pelo estabelecimento de uma relação reflexiva comigo mesmo, sobre um conjunto de experiências realizadas na minha prática letiva, a um desdobramento entre mim e uma imagem exterior a mim próprio: o professor-artista.Então, dizer como se produz este duplo e o que ele é constitui o primeiro passo no sentido da sua captura.E capturar esta imagem significa situarmonos no discurso e descrevermos as suas movimentações, relativamente aos campos do artista e do ensino, mas também sujeitarmo-nos àquilo que ela propõe.Ora o que aqui se está a falar é da criação de uma zona de contacto entre o estúdio do artista e a sala de aula do professor, pela ampliação da noção modernista de estúdio e pelo esbatimento da figura autoral do artista.É neste campo expandido que me proponho pensar os espaços de cruzamento do estúdio artístico com as práticas desenvolvidas pelo professor-artista, num espaço porvir cuja potência nos leve ao desprendimento de nós próprios no ensino em artes visuais.ABSTRACT (In)visibilidades: um estudo sobre o devir do professor-artista 1 no ensino em artes visuais is a self-analysis exercise on the formation of a duplicate.This duplicate resulted from the correlation between my experience as an artist and as a secondary grade visual arts teacher.An idea originated while being a teacher in a private learning institution, which in confrontation with my artistic vision triggered a set of tensions on my social and political conduct as a visual arts teacher.This led me to, by introspecting on a set of experiments conducted during my practice as a teacher, a split between myself and an exterior image of me: the artist-teacher.So, saying what this duplicate is and how it is created is the first step for its apprehension.And for this we have to place ourselves inside the discourse and describe its own movements, between the field of the artist and the one of the teacher, and to be subjected to what it proposes.What is being referenced here is the creation of a contact zone between the artist's studio and the teacher's classroom, by expanding the idea of studio and by softening the limits of the artist's creation field.It's in this expanded field where I propose to ponder on the intersecting areas between the artist's studio and the practices developed by the artist-teacher.An area to come, whose intensity could release us from ourselves in visual arts teaching.1 (In)visibilities: a study on the becoming of the artist-teacher in visual arts teaching.AGRADECIMENTOS Turner e Constable referiam-se muitas vezes às suas obras como "picture of bits".Literalmente, quadros feitos de bocados.Composições feitas a partir de fragmentos de realidade que usualmente as pessoas ignoram, como o lixo, cartazes rasgados, maçãs podres, etc.. Neste sentido, também os meus agradecimentos não poderiam assumir outra forma que não esta, semelhante a uma prática de deriva do olhar, já que esta tese é um conjunto de dobras, de blocos de palavras que se intersectam e conectam umas com as outras para tecer uma enunciação discursiva.E essas palavras vieram de todos os lados trazidas por diversos amigos através de livros, fotocópias, textos, e-mails, notas, sugestões, jantares, reuniões, discussões, aulas, conversas comestíveis, etc…Estes encadeamentos foram o berço deste texto.Ora dizer isto é assumir que este trabalho de investigação foi um exercício coletivo, pelo que, assumindo plena responsabilidade pelo trabalho realizado e pelo texto final produzido, não posso de deixar de fazer o meu reconhecimento público a todos aqueles que deram o seu contributo para a tese que aqui se apresenta.Ao José Alberto Correia pelo seu incansável entusiasmo, pelo apoio incondicional desde o primeiro momento, pelo estímulo intelectual, pela liberdade e pela confiança; À Catarina Martins o meu profundo agradecimento por todo o acompanhamento e envolvimento que sempre manifestou em relação ao trabalho em causa, pelas sugestões bibliográficas, pelo incentivo nos momentos mais difíceis e pelo rigor sempre presente nas sessões de orientação; Ao José Paiva, pela sua amizade, constante incentivo e disponibilidade; Agradeço também a todos os responsáveis pelas instituições que ao longo destes anos me permitiram realizar as experiências que conduziram a esta investigação, pela forma franca e aberta com que sempre me receberam e se disponibilizaram a facultar as informações ou documentação necessária ao decorrer do estudo; O meu agradecimento muito especial a todos os alunos que me têm acompanhado ao longo destes anos nesta experiência surda e trabalhosa, pela forma como se deixaram implicar no seu processo.Agradeço-lhes o voto de confiança que depositaram em mim, assim como os espaços de partilha criados pelos ensinamentos mútuos; Aos professores e colegas de doutoramento pelo profícuo debate de ideias; Aos entrevistados das conversas amigáveis pela sua empenhada e desinteressada colaboração que enriqueceu o alcance e a profundidade da análise do tema em questão; Agradeço também às diversas pessoas que através de indicações ou fornecimento de documentação, informações ou contatos, sugestões ou esclarecimento de dúvidas foram dando corpo a este projeto, nomeadamente à Carla Capela, ao Pedro Monteiro, à Diana Vaz Pedro, à Patrícia Mondragon e à Catarina Almeida.Aos que fizeram a revisão atenta das versões preliminares desta tese, pelo seu trabalho dedicado e atento, pela sua disponibilidade e profissionalismo; À minha família por ter sabido compreender as minhas "ausências".Pela paciência, pelo carinho, pela compreensão e pelo estímulo constante nos momentos em que senti maior desânimo e me entreguei a uma espécie de preguiça barthesiana 2 ; Aos sucessivos atos de altruísmo protagonizados pelo meu porquinho mealheiro; A todos os amigos que me apoiaram, pela sua compreensão e conselhos, bem como pelas tarefas que realizaram por mim de forma a libertar-me de alguns afazeres.Um profundo obrigado a essa matilha à qual me sinto pertença e cuja rede é formada pela Carla Capela, Sr. Lenhador, Rachel Girl, Pedro Monteiro, Sir, Roni Girl, Bertinho dos Tambores, Nune e Raínha de Aldoar.Uma ligação animal que também faz conexão com a Bicharada: a Joana, a Diana, a Sílvia e o Paulo.E a todos quantos, ao longo da minha vida, direta ou indiretamente, contribuíram para a minha formação pessoal, social, profissional e académica.Neste caso um agradecimento muito sentido a Barqueiros e à família Monteiro, que me acolheu e contribui para um estado de incubação das minhas ideias.Assim, ao encerrar estes agradecimentos gostaria de dizer que a imagem de Bartleby me foi sucessivamente trespassando ao longo deste três anos, já que esta personagem, da história de 2 "Muitas vezes coloco-me em situação de lutar para fazer as coisas.Quando não as faço, ou pelo menos durante o tempo em que não as façopois acabo geralmente por as fazertrata-se de uma preguiça que se me impõe, em vez de ser eu a escolhê-la e me impor a ela.É evidente que essa preguiça envergonhada não assume a forma do «não fazer nada», que seria a forma gloriosa da preguiça, a forma filosófica.Numa certa época da minha vida, permitia-me após a sesta, até às 4 ou 5 horas da tarde, um pouco dessa preguiça eufórica, que não luta.Acatava, sem resistência, as ordens do meu corpo que estava nesse momento um pouco adormecido, não muito disponível.Não tentava trabalhar, deixava-me levar.Mas era uma vida no campo, durante o verão.Fazia um pouco de pintura, de bricolagem, como fazem muitos franceses.Mas, em Paris, sinto-me mais atormentado pela necessidade de trabalhar e pela dificuldade de trabalhar.Deixo-me então ir nessa forma de preguiça que é diversão, a repetição das diversões que inventamos: fazer um café, beber um copo de água…Com má consciência, aliás, porque se a diversão me chega do exterior, em vez de a receber bem, fico aborrecido com aquele que a provoca.Recebo com desagrado telefonemas ou visitas que, de facto, apenas perturbam o trabalho que não estava a ser feito" (Barthes,1982:329).
DOI: 10.34626/qx9h-3456
Author: Jesus, Joaquim Alberto da Luz de
Language: Portuguese
Subfield: Visual Arts and Performing Arts
Field: Arts and Humanities
Domain: Social Sciences
SDG: Quality education
Open Access status: green
OpenAlex ID: W2286571904
