Efavirenz versus Nevirapina : comparação da efectividade e do perfil de segurança, a longo prazo, no tratamento da infecção por vírus da imunodeficiência humana tipo 1
Year: 2016
Type: dissertation
Abstract: Os inibidores da transcriptase reversa não nucleosídeos (ITRNN), efavirenz (EFV) e nevirapina (NVP) ainda são frequentemente utilizados no âmbito da terapêutica anti-retrovírica de combinação (TARVc). A curto prazo, ambos os fármacos têm apresentado uma efectividade semelhante, no entanto têm diferido nos perfis de segurança. Contudo, os dados disponíveis que permitem comparar os perfis de efectividade e segurança entre o EFV e a NVP ainda são limitados, tanto no que respeita a terapêuticas de primeira linha como em terapêuticas subsequentes. Menos ainda se conhece, sobre estudos que tenham comparado a durabilidade dos esquemas baseados nestes fármacos. Neste estudo retrospectivo foi decidido comparar os perfis de efectividade e segurança entre esquemas baseados em EFV e NVP, em indivíduos que estiveram expostos continuamente a estes fármacos, por períodos iguais ou superiores a três anos. Para a análise comparativa dos perfis de efectividade, determinou-se a durabilidade do tratamento, ou seja, o tempo até falência terapêutica devido a um determinado evento e, procedeu-se à análise evolutiva do número de linfócitos T CD4+ durante o período de seguimento. Os perfis de segurança foram comparados com base no cálculo das taxas de eventos de toxicidade hepática, referentes às elevações séricas dos níveis das enzimas AST, ALT, GGT e FA, e das taxas de eventos de alterações do perfil lipídico, referentes aos níveis de colesterol total, LDL-C e triglicéridos, de acordo com a terminologia apresentada the Division of AIDS table for grading the severity of adult and pediatric adverse events. Adicionalmente, analisou-se a evolução dos níveis de HDL-C e todos os efeitos adversos reportados durante os tempos de seguimento. No total foram incluídos 289 indivíduos infectados por VIH-1 (134 indivíduos naive de terapêutica e 155 indivíduos não naive de terapêutica), seguidos na Consulta de Imunodepressão do Hospital de Santa Maria (CI-HSM). Dos indivíduos naive, 71 (53%) e 63 (47%) foram tratados com esquemas com EFV e NVP, respectivamente, e dos indivíduos não naive, 77 (49,7%) e 78 (50,3%) foram tratados com esquemas com EFV e NVP, respectivamente. As comparações efectuadas entre os grupos tratados com EFV e NVP foram sempre realizadas com base na experiência terapêutica (naive ou não naive). Procedeu-se a uma caracterização demográfica e clínica e em termos gerais, entre os grupos EFV e NVP as características basais foram comparáveis. A mediana do tempo de seguimento foi de 7,8 anos e no que respeita ao tempo até falência de terapêutica, observou-se uma tendência para a superioridade entre os indivíduos tratados com NVP comparativamente aos tratados com EFV, embora sem significado estatístico (p=0,213). Dos indivíduos que interromperam o tratamento (14% com EFV e 9% com NVP), a maioria foi por falência virológica (56%), seguido da toxicidade (23,5%), e por alteração do ITRNN por outras razões (20,5%), tendo-se observado que a grande parte destes eventos ocorreu no grupo de indivíduos não naive (82% vs 18%), independentemente do ITRNN utilizado. A má adesão terapêutica e a experiência em tratamentos anti-retrovíricos anteriores foram as principais razões encontradas para a obtenção de falência virológica. O EFV e a NVP também não diferiram quanto à evolução do número de linfócitos T CD4+ ao longo do tempo de seguimento. Apenas no grupo naive se observou que os indivíduos tratados com EFV tiveram uma recuperação imunológica mais acentuada (p=0,0013), provavelmente devido ao facto de na baseline terem apresentado valores significativamente inferiores, aos apresentados pelos indivíduos que iniciaram NVP (p=0,0026). Relativamente à toxicidade hepática, as taxas das elevações das enzimas hepáticas não diferiram significativamente entre o EFV e a NVP (p>0,05) e não foi observada qualquer tendência para que estas aumentassem com o tempo. Para ambos os fármacos, a AST e a ALT estiveram associadas a baixas taxas de elevações séricas (<1%), particularmente as de grau marcado (3 ou 4). A co-infecção por VHC apresentou um impacto significativo nas elevações séricas de ALT, contudo, o risco de elevação dos níveis séricos da mesma nunca diferiu entre os dois fármacos (p> 0,05). A GGT foi a enzima com maior nº de eventos de toxicidade hepática durante o tratamento, contudo estes não diferiram entre os dois fármacos e, na maioria dos casos, estes eventos foram directamente associados aos hábitos alcoólicos. Relativamente à FA, praticamente não foram observadas eventos de toxicidade durante o tratamento com qualquer dos fármacos. Neste estudo, a toxicidade hepática foi o evento que menos contribuiu para a falência de terapêutica por toxicidade (1 em 9), uma vez que apenas um indivíduo (co-infecção por VHC e tratado com NVP) interrompeu o tratamento por esta razão. Relativamente ao perfil lipídico o EFV e a NVP não diferiram significativamente no que refere às taxas das elevações séricas moderadas a marcadas (grau ≥2) relativas ao colesterol total, LDL-C e triglicéridos. Durante o tratamento não houve evidência de que este tipo de toxicidade aumentasse com a duração do tratamento com qualquer um dos fármacos. Todavia, a toxicidade relacionada com o perfil lipídico foi o evento que mais contribuiu para a falência de terapêutica por toxicidade (5 em 9), e todos os casos ocorreram em indivíduos tratados com EFV. Durante o período de seguimento não foi observada nenhuma variação significativa dos níveis séricos de HDL-C tanto com o EFV como com a NVP. Outros efeitos adversos foram observados e destes, a maioria foi associado ao EFV (51% vs 31,2%), destacando-se as alterações neuropsiquiátricas que ocorreram maioritariamente na primeira semana de tratamento, apesar de, terem sido observados casos que ocorreram muitos anos após o início do tratamento. Relativamente à NVP, destacaram-se os distúrbios gastrointestinais que foram praticamente exclusivos do primeiro ano de tratamento. Neste estudo, observou-se que, a longo prazo, o EFV e a NVP são igualmente efectivos e seguros, pelo que, e segundo este mesmo estudo, devem continuar a ser fortemente recomendados no tratamento da infecção por VIH-1.
Language: Portuguese
Subfield: Infectious Diseases
Field: Medicine
Domain: Health Sciences
Open Access status: green
OpenAlex ID: W2478070787
