Year: 2010
Type: article
Abstract: África e africanos na diáspora africana: os usos de bancos de dados relacionais * Gwendolyn Midlo Hall Os estudos afro-americanos, melhor descritos como estudos negro-americanos, são em sua maior parte superficiais e incompletos, referindo-se aos negros sem conhecê-los.O pesquisador típico não consegue libertar-se dessa tendência à fragmentação e à superficialidade, pois não considera os africanos como indivíduos provenientes de uma sociedade com regras e valores próprios... como pessoas arrancadas de uma cultura particular que não pode ser apagada pelo simples ato de atravessar o Atlântico.De seres humanos repletos de cultura e conhecimento, os negros foram transformados em mera mercadoria: toneladas de ébano.Nicolás Ngou-Mve, Historia de la población negra en México.Em artigo publicado na American Historical Review de 2007, "Agency and Diaspora in Atlantic History", David Eltis, Philip Morgan e David Richardson fazem duas importantes afirmações: 1) que o artigo apresenta um modelo novo e superior para a interpretação da formação da cultura "crioula" nas Américas, e 2) que ele desafia a crença de que os africanos tiveram um papel relevante na introdução e tecnologia do cultivo e processamento de arroz nas Américas.Para tais conclusões acerca do cultivo de arroz, os autores baseiam-se principalmente em cálculos a partir do Trans-Atlantic Slave Trade Database, Versão 2 (referida daqui por diante como TSTD2), usando-o como ferramenta para estudar como se distribuíram os africanos escravizados, provenientes de regiões na África onde se cultivava o arroz, nas regiões da América que exportavam arroz para a Europa. 1 Os autores alegam ter feito uma descoberta importante e inovadora acerca da formação da cultura "crioula" nas Américas.A partir daí, eles reavivam e retomam uma discussão -não relacionada ao tema central de sua pesquisa -realizada em 1991 e editada por Philip Morgan, na qual, diversos especialistas criticavam o livro de David Hackett Fischer intitulado Albion's Seed: Four British Folkways in America.O livro de Fischer trata dos colonizadores britânicos nos Estados Unidos.Especialistas no tema jamais afirmaram que as culturas britânicas foram apagadas pela travessia transatlântica.A metodologia de Fischer não serviu como modelo para os estudos da diáspora africana.2 * Tenho uma grande dívida com o National Endowment for the Humanities e com os contribuintes do nosso país [Estados Unidos da América], que financiaram a expansão do meu Louisiana Slave Database, como parte dos contratos de pesquisa colaborativa, números RO-22619-1901 e 1993, "Africans in Spanish and Early American Louisiana", com Patrick Manning como coinvestigador.Também recebi grande apoio financeiro da Fundação Guggenheim, assim como contribuições generosas do Ministério da Cultura da França, do Programa para Cooperação Cultural entre o Ministério da Cultura da Espanha e as universidades dos Estados Unidos, e do Louisiana Endowment for the Humanities.Steven Mintz generosamente tem concorrido com seu entusiasmo, tempo e apoio por, até agora, quase uma década, inclusive para este artigo.Paul E. Lovejoy, diretor do Harriet Tubman Institute for Research on the Global Migrations of African Peoples, da Universidade de York, em Toronto, Canadá, seus estudantes de graduação e nossos colegas nessa área de conhecimento, desempenharam uma papel muito especial.Sou grata a Maureen Hewitt, editora-chefe da LSU Press, por seu trabalho inovador e entusiasmado, no preparo da versão em CD-ROM do banco de dados para publicação (Databases for the Study of Afro-Louisiana History and Genealogy,
Source: Topoi (Rio de Janeiro)
Author: Gwendolyn Midlo Hall
Language: Portuguese
Subfield: Anthropology
Field: Social Sciences
Domain: Social Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W2519884485
