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Pro mundo ficar Odara: Não entender Exu

Year: 2016
Type: article
Abstract: Àgò, Exu àgò 1 A única decisão possível passa pela loucura do indecidível e do impossível: ir aonde é impossível ir.Jacques Derrida Conversar é dar voltas no pensamento, teria afirmado Humberto Maturana.Tais voltas não seguem uma lógica cartesiana e uma medida positiva como se poderia pensar inicialmente, mas estão repletas de sobressaltos, idas e vindas, fatos intervenientes, colapsados pela agonia da metáfora, da poesia e da tradução.O que é uma conversa afinal, senão jogos de interpretação?Mobilizada por desejos íntimos, fermentada nas pulsões e manietada pelo inconsciente, aquecida no caldeirão do que há em nós de mais subjetivo e passional, a conversa se distancia do diálogo socrático-platônico.Aqueles senhores gregos, sabichões, tão escovadinhos e corretos não se sustentariam em uma conversa real com gente de verdade.Gente é afetada, transpira afeto e emoção.Gente é algo da ordem do trágico-nietzschiano, em que a vida transborda, cheia de sabores, músicas e contendas entre Dionísio e Apolo, ação e reação, construção e desconstrução.A psicanálise, uma conversa com o inconsciente, perguntava sob a voz de Jacques Lacan: "O que você quer?O que realmente quer?" Carl Gustav Jung queria saber de seus pacientes: "Que mito está vivendo hoje?" Estas questões não solicitam respostas conclusivas, não encerram nada, sacodem certezas e colocam a resposta para deslizar numa agonia sem fim.1 Àgò é reverência, pedido de compreensão, licença e desculpas (LOPES, 2004, p.40).Ana O., paciente de Sigmund Freud, queria simplesmente falar, e que não a interrompessem.Ana O. estava conversando consigo mesma e limpando sua chaminé, deslizando na agonia do sem fim.Dizendo, dizia de si e dos outros.Catava-se.Buscava juntar-se, compreender, sabendo que não há lugar de placidez no entendimento.O entender não liberta, aprisiona.Como Narciso, Ana O. olhava para si no espelho d'água da conversa.O espelho, tal qual uma conversa, é a possibilidade de se desprender de si.Quando me olho no espelho, não é para mim que olho, mas para um outro, um reflexo, um eu suposto.Um eu ex-posto, fora de posto surge no espelho da conversa que provoca desconforto.Sou um eu refletido e não o sou ao mesmo tempo.Aquele a me olhar no espelho, quem é? É um ambíguo.Mas, claro, sempre se corre o risco de crer que o espelhado indica a mim mesmo, que retoma a mim mesmo.
Author: Alexandre Fernandes
Language: Portuguese
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W2548756397
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