Contribuições da Etno-História para a arqueologia do nordeste do Mato Grosso do Sul, na área impactada pelo gasoduto Bolívia-Brasil
Year: 2001
Type: article
Abstract: Gilson Rodolfo Martins*Quando na primeira metade do século XVI os primeiros conquistadores europeus chega ram a Mato Grosso do Sul, encontraram algumas centenas de milhares de índios que aí viviam, há séculos, os quais estavam distribuí dos por mais de uma dezena de tribos distintas entre si.Das fontes históricas do século XVI, praticamente nenhuma faz referência aos índios do nordeste sul-mato-grossense.Porém, de acordo com os cronistas dos séculos seguintes e com estudos etnográficos contem porâneos, como, por exemplo, o Mapa Etno-Histórico de Nimuendaju, editado em 1944, toda a área vizinha ao traçado do Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), entre os municípios de Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas era habita da, hegemonicamente, pelos índios kaiapós meridionais, hoje extintos.Segundo Schaden (1954: 396) o território ocupado por esses índios era o seguinte: "Grande extensão do noroeste do Estado (SP), compreendida entre o rio Grande e o Paraná, bem como as áreas adjacentes do triângulo mineiro, do sudeste de Mato Grosso e sul de Goiás, constituiu o habitat de uma tribo jê, conhecida sob o nome de Kaiapó Meridionais.(...) Guerreiros denodados, faziam-se acompanhar das mulheres nos campos de luta, incumbidas de ficar atrás dos homens e passar-lhes as flechas à medida que as gastassem.Além de arco e flecha, serviamse de grandes cacetes, particularidade que deu origem à designação de Ibirajara ("senhores dos tacapes, na língua geral) com que os Kaiapó e algumas outras populações figuram em textos antigos".(*) Laboratório de Pesquisas Arqueológicas do Departam ento de História do Cam pus Universitário de Aquidauana da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.Prezia (1988: 4) ao analisar o grupo lingüístico Macro-Jê sintetizou algumas características comuns às tribos filiadas a esse tronco, as quais se apresentam a seguir: -"são m oradores do cerrado ou de áreas de m ato aberto; -possuem uma organ ização social com plexa, dividin do a com unidade em m etades ou clãs, divisão que é respeitada desde a direção da aldeia, até a realização de festa s e rituais; -não usam redes, dorm indo em esteiras ou em estrados de varas; -fa b rica m pou ca cerâm ica, desen vo lven d o m ais a pintura co rporal e a arte p lu m á ria ".O processo colonizador português, no Brasil, iniciou sua interiorização no final do século XVI.As bandeiras paulistas de André Leão e Nicolau Barreto, explorando o vale do Paraíba do Sul e as terras além da Serra de Mantiqueira, inauguraram, na última década desse século, o fenômeno bandeirante.Entre 1600 e 1620, diversas bandeiras terrestres partiram do planalto de Piratininga em direção ao ocidente colonial buscando duas mercadorias muito valorizadas no comércio mercantilista: os metais preciosos e cativos indígenas.Dessa forma, o início do século XVII é também o momento que estabeleceu os primeiros contatos inter-étnicos entre colonos europeus e as tribos orientais de Mato Grosso do Sul e do extremo-oeste paulista.Em 1610, os jesuítas espanhóis iniciaram a catequese dos índios guaranis do Guairá, no noroeste paranaense, intensificando a movi mentação colonial na bacia do Alto Paraná.Com isso, alterações substanciais ocorreram na realidade étnica regional.A presença dessas duas frentes de expan sionismo colonial, embora rivais, debruçadas sobre o mesmo objeto, implicou um afastamento e diminuição dos aldeamentos indígenas nas proximidades do trecho sul-mato-grossense do rio Paraná.Nos anos seguintes à fundação da
Author: Gilson Rodolfo Martins
Institution: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Language: Portuguese
Subfield: History
Field: Arts and Humanities
Domain: Social Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W2555666927
