Year: 2016
Type: article
Abstract: Dados do infográfico do Conselho Federal de Psicologia (CFP), atualizados em 17 de outubro de 2016, mostram que, no Brasil, 282.498 psicólogos estão inscritos nos CFPs (CFP, 2016).Ou seja, rapidamente atingiremos a marca de 300.000 psicólogos brasileiros até o final de dessa década, uma das maiores do mundo.Ponto de partida para uma reflexão inicial acerca da qualidade da formação profissional e da formação continuada em Psicologia no Brasil, assim como seus desdobramentos em termos de produção e aplicação de conhecimentos psicológicos relevantes e necessários à sociedade.Ou seja, sobre o presente e o futuro da profissão da Psicologia no país.Crescemos muito.Amadurecemos com a mesma rapidez?Qual a qualidade do processo de profissionalização de psicólogos no país?Na base dessas questões, é possível identificar os seguintes cenários e perspectivas.Cursos de graduação em Psicologia são responsáveis por fornecer uma formação básica e ampla em diferentes áreas do conhecimento psicológico, desejáveis e úteis à construção de uma carreira profissional.De fato, esse é o horizonte, embora a percepção de que há lacunas no processo de formação, especialmente no âmbito da relação teoria-prática, que dificultam a inserção no mundo do trabalho seja uma queixa comum entre egressos dos cursos de Psicologia.É possível identificar que, em números gerais, aproximadamente metade dos psicólogos brasileiros não atuam exclusivamente como psicólogos, isto é, complementam sua fonte de renda com outras atividades técnicas, acadêmicas ou administrativas, fato igualmente identificado na primeira pesquisa de caráter nacional, promovido pelo CFP e publicado no livro "Quem é o psicólogo brasileiro?" (Bastos & Gomide, 1989).Quais implicações tem esse fato no processo de profissionalização dos psicólogos?A qualidade dos processos de ensino-aprendizagem na graduação, o baixo consenso sobre quais devem ser as diretrizes curriculares orientadoras da formação de psicólogos no país, a cultura pouco sólida de formação continuada e a escassez de programas de formação de professores de Psicologia são, certamente, fatores importantes a serem considerados na discussão sobre as restrições e dificuldades enfrentadas pelos psicólogos na construção e manutenção de uma carreira profissional profícua.No âmbito da formação profissional básica, verificam-se mudanças curriculares sem o devido planejamento do ensino orientado para as perspectivas de inserção do psicólogo no mundo do trabalho (prestação de serviços para as instituições e comunidade) e, muitas vezes, descoladas das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para a área da Psicologia.Há uma redução, cada vez mais acentuada nos fluxos curriculares, de disciplinas metodológicas e técnicas e voltadas à intervenção psicológica, assim como uma valorização de conteúdos programáticos e de experiências mais genéricas que, embora possam ser enriquecedores para a formação geral do cidadão (as chamadas disciplinas transversais ou temas diversos), restringem cada vez mais o ensino e o desenvolvimento de competências específicas à atuação dos psicólogos.A carência de programas de formação de professores em Psicologia, de metodologias de programação de ensino, de avaliação de processos de ensino-aprendizagem e da inserção dos egressos dos cursos de Psicologia acentuam a generalização de opiniões sobre o que deve ser
Source: Psicologia Ciência e Profissão
Author: Roberto Moraes Cruz
Institution: Universidade Federal de Santa Catarina
Language: Portuguese
Subfield: General Psychology
Field: Psychology
Domain: Social Sciences
SDG: Quality education
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W2560008775
