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Sciascia e Camilleritra Racconto e Cronaca Sociale

Year: 2016
Type: article
Abstract: No “bem um estranho guia” da Bahia, Jorge Amado propõe uma autodefinição que também pode ser utilizada para explicar um aspecto nada secundário da obra narrativa de Leonardo Sciascia e Andrea Camilleri: “Narra o que sabe por tê-lo vivido, herói de seus livros é o povo, sua meta a alcançar é o porvir”. Para falar de seu primeiro escrito (que se intitulará Le parrocchie di Regalpetra), Sciascia utiliza o termo “cronaca” (que aparece no título do capítulo “Cronache scolastiche”): crônicas de um lugarejo – Regalpetra – que o escritor conhece a fundo, em sua fisionomia histórica e social, e com relação ao qual pode escrever, pois sabe por tê-lo vivido. Da mesma maneira, Camilleri – nos romances históricos e civis, assim como nos policiais, mas também em escritos de menor estruturação narrativa, se não mesmo ocasionais, como podem ser as páginas que descrevem alguns aspectos de Porto Empedocle – implícita ou explicitamente se qualifica como testemunha (“vi de meu terraço”). Também os dois escritores italianos contam o que sabem, portanto, e – cada qual com a própria estratégia narrativa e com a visão do mundo que lhes pertence – constituem o povo como herói de seus livros. Mais complexo é dizer se (como o escritor brasileiro) consideram que a meta a ser alcançada seria o porvir, e o que afinal significaria, para um e para outro, a ideia do porvir: de que tonalidades políticas e sociais se colore, de quais (e diversíssimos) humores é composto o conceito, destinado a estimular vívidas páginas narrativas.
Author: Giuseppe Marci
Language: Portuguese
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W2567307388
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