Year: 1976
Type: article
Abstract: A pesquisa científica sobre os contingentes étnicos formadores da atual sociedade brasileira, bem como dos processos sócio-culturais ocorridos no período de quatro séculos de relação étnico-cultural, somente nos últimos anos tem sido objeto cie uma análise metodizada por parte de antropólogos brasileiros e estrangeiros.O elemento indígena, o colonizador português e o escravo africano (nenhum deles portador de unidade Ctnica e cultural), produziram os mais diversos tipos étnicos no Brasilmulato, mameluco, crioulo, cafuso, curiboca, cabra, caboclo, pardo -, representam os elementos básicos na formação de uma sociedade luso-brasileira, posteriormente de uma sociedade neebrasileira que nos dias de hoje expressa características pr6prias, definidas de tal modo, que forma uma sociedade nacional.O início da evolução desse conjunto é encontrado no empreendimento da colonização, caracterizado fundamentalmente por um sistema patriarcal, de exploração latifundiária, monocultora e escravocrata, com base na plantação da cana-de-açúcar introduzida pelo elemento português no nordeste brasileiro.A análise desse processo envolve preliminarmente uma perspectiva de trabalho, pois duas alternativas são oferecidas: a primeira, nos levaria a tratar o tema debaixo de uma vizualização global, onde a formação da sociedade brasileira, quer do ponto de vista étnico quer cultural, seria -i.resultante de atividades econômicas que criaram uma infra-estrutura, em torno da qual todas as relações étnicas e culturais se fizeram, dando como conseqüência, subculturas regionais, configuradas de forma teórica em regiões culturais brasileiras.Diégues J r .(1960), partindo das relações entre o meio físico e as condições econômicas, das inter-relações do processo de crescimento demográfico, econômico, social e cultural, e das ocupações dos vazios demográficos, divide o Brasil em regiões culturais ('-z) , as quais, apesar da aparente diversificação, guardam entretanto uma unidade marcante que por sua vez caracteriza o que poderíamos chamar de cultura brasileira.(1-2) Nordeste Agrário do Litoral, MediterrAneo Pastoril, Amazbnia, Centro-Oeste, Pastoril do Extremo-Sul, Colonização Estrangeira, CaM, Industrial, Cacau, Sal e Pesca.A segunda alternativa envolveria uma visão etnográfica do problema, isto é, o estudo em separado do elemento indígena, do português e do africano, portadores de níveis de cultura diferentes ( 3 ) , bem como dos demais grupos que, de forma étnica ou cultural, tenham influenciado essa formação, trazendo como corolário normal uma visão da realidade brasileira dos dias de hoje.Quanto à primeira alternativa, o autor tentou anteriormente como tantos outros, especialmente Diégues Jr .(1960; 1963; 1963 A; 1964) , abordar o problema partindo basicamente das condições naturais oferccidas pelo meio físico e da evolução das atividades econômicas, para concluir que os processos dessa ocupação foram fundamente vinculados às características fisiográficas de cada porção do território brasileiro (Fi- , 1971;Figueiredo, 1973) .A "fazenda", nome genérico com que foram conhecidos esses pontos de convergência e de fixação à terra, quer fossem de base agrícola, pastoril, mineradora ou extrativista, formou os locais de encontro dessas culturas, que eram igualmente centros sociais e demográficos, pois, além de focos de produção econômica, era tambdm o elemento palpável, men-s~rável e atuante, que tornou possível a ocupação e que, posteriormente, refletindo variedades de povoamento, condicionou a expansão das frentes pioneiras de penetração.Esses focos ou núcleos correspondem, no Brasil, ao sentido do Plantation utilizado por Harris (1967), ou seja, "propriedade agrícola organizada para suprir um mercado abundante de capital, em que os fatores de produção são empregados primordialmente para aumentar o acúmu-10 de capital sem referência às necessidades de gabarito social dos proprietários; onde as relações entre senhor e escravo eram fortemente personalizadas ou as relações sociais tendiam a ser intimas e altamente pessoais".Assim, a "fazenda" constitui a "comunidade colonial" onde com o correr do temDo se estruturam as classes sociais e onde os casamentos e as relações ilícitas contribuíram para a mestiçagem, que, dado o seu maior ou menor relacionamento com o colonizador, fizeram passar as grandes propriedades e os bens dos mais afortunados para os filhos das mulatas, mamelucas ou cabrochas, caracterizando, conforme condições, atividades econômicas e modos de vida, a ocupação da terra e a "tropicalização" dessa nova sociedade emergente.A montagem de um modelo capaz de servir de base para a análise dos elementos culturais que se mesclaram nos conduzirá fatalmente à segunda perspectiva de trabalho, qual seja o estudo em separado das con-(3) Utilizando-se os critérios de Ribeiro (1969), constatariamos que essas culturas .estavam atravessando os seguintes processos civilizat6rios: grupamentos indígenas -
Source: Afro-Ásia
Author: Napoleão Figueiredo
Language: Portuguese
Topic: Afro-Latin American Studies
Subfield: Cultural Studies
Field: Social Sciences
Domain: Social Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W2611596989
