Year: 2017
Type: book-chapter
Abstract: Design: uma palavra exótica para os brasileiros há 60 anos, hoje nomeia popularmente inúmeras atividades, como maquiagem de rostos e de produtos.Da mesma forma, para a maioria das empresas e das instituições oficiais, a compreensão do termo vagueia pelo mito redentor de que todos os problemas serão resolvidos através de uma nova e sedutora estética.E no caso específico da atuação junto ao Artesanato, aspectos intrínsecos ou correlatos ao projeto de design, como o cálculo de custos, modelagem e seriação, ergonomia e segurança no trabalho etc. não são considerados pelo cliente (e nem sempre pelos próprios designers).Para esclarecer nossa posição, citamos Redig (1977):Desenho Industrial (Design) é o equacionamento simultâneo de fatores ergonômicos, perceptivos, antropológicos, tecnológicos, econômicos e ecológicos, no projeto dos elementos e estruturas físicas necessárias à vida, ao bem-estar, e/ou à cultura do homem (p.32).Este conceito com jeito de manifesto pode parecer óbvio para muitos, mas certamente não é para todos, principalmente para novas gerações de docentes e estudantes.E o que é mais interessante hoje, com o advento de novos termos, é constatarmos que Sustentabilidade é desde sempre parte integrante da atividade do Designer como conceituada acima e como nós a compreendemos: Sustentabilidade: "condição de permanência em certo nível por determinado tempo".Para ser sustentável o projeto deve integrar a questão social, a questão econômica, a questão energética e a questão ambiental.Isto é, o projeto deve ser socialmente justo, economicamente viável, ecologicamente correto e também culturalmente diverso (Wikipedia, 2015). Ecovisões projetuais: pesquisas em design e sustentabilidade no Brasil IntervençõesBauhaus, a primeira escola de design (Alemanha, 1918), procurou incorporar a sabedoria artesanal na passagem para a criação de produtos para a indústria.No Brasil, ao contrário, o artesanato foi largamente ignorado por um Modernismo míope adepto do "look industrial" ou uma "estética da máquina" aparentemente industrial, muitas vezes presentes nos protótipos bauhausianos.Como costuma acontecer entre espíritos colonizados, imita-se o resultado, mas não o espírito gerador.Em oposição a essa corrente dominante no design oficial, tem grande destaque o trabalho das arquitetas Lina Bo Bardi e Janete Costa no resgate e inserção da arte popular e de produtos artesanais em importantes exposições, consultorias e projetos arquitetônicos e culturais desde as décadas de 1950 e 1960.Algumas modalidades artesanais no país são centenárias.Cerâmica, cestaria e trançado são de tradição indígena.Algumas são técnicas da Antiguidade, disseminadas na Idade Média por e para nobres, aristocratas e eclesiásticos.O trabalho em couro remete aos antigos ofícios tradicionais europeus.Rendas foram trazidas pelos europeus a partir do século XVII, e os bordados transmitidos em escolas de educadoras religiosas até meados do século XX.Por que então a ênfase na intervenção oficial a partir de décadas recentes, e por que buscar a contribuição de designers nessas intervenções?A exemplo do que já aconteceu em outros países, como Espanha, México e Colômbia, no início da década de 1990 agências governamentais brasileiras perceberam a emergência de "salvar" nosso artesanato da extinção.Para nós, essa preocupação surge no vértice de duas situações opostas, mas convergentes.De um lado, a grande redução na antiga e disseminada demanda por artigos feitos a mão, como os enxovais de casamento e de bebê que mães e avós guardavam em baús domésticos, usuais nas casas burguesas até uns 50 anos atrás, as toalhas de banquete ricamente bordadas, rendadas e engomadas primorosamente pelas serviçais.Para a maioria de antigos consumidores desses artigos, não há mais banquetes nem serviçais.Por outro lado, temos o artesanato que no Brasil ainda é conceituado como produto mal-acabado, barato e fora de moda.Como saída da crise, significativos desafios se colocam para os agora envolvidos na mesma causa: promotores, designers e artesãos.Além de melhorar (ou preservar) a geração de renda, o produto resultante deve atender a mudança nos padrões de consumo das novas gerações, a concorrência de produtos industriais "com cara de artesanato", o artesanato importado a preços imbatíveis (feito por artesãos pior remunerados que os nossos) e muito mais.Nem pequeno, nem fácil, nem curto é esse novo caminho.Em outras palavras: torna-se fundamental mudar de patamar e de conceito, revestir-se de novas linguagens mercadológicas, produtivas, logísticas, estilísticas
Source: Editora Blucher eBooks
Author: Lia Monica Rossi
Language: Portuguese
Topic: Crafts, Textile, and Design
Subfield: Museology
Field: Arts and Humanities
Domain: Social Sciences
Open Access status: bronze
OpenAlex ID: W2736265025
