Year: 1975
Type: article
Abstract: Nelly Novaes CoelhoD e ingratas seremos acusadas, estranhas parecendo, logo desencadeando bravas guerras por literárias tidas, porém de raiz mais funda, tecidas, crescidas e aguerridas e parcas vinhas.M itos desfloram os e desfloradas fom os de consentido, (p .9 1 ) .Extraordinária a lucidez em meio à paixão, com que Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa escreveram es tas discutidas NOVAS CARTAS PORTUGUESAS (1), cuja primeira edição lançada em Lisboa em abril de 1972, por Estúdios Cor, não pôde circular livremente em Portugal ou fora dele, porque foi logo apreendida pela Censura.Na atmosfera opressa dos anos que precederam imediatamente o 25 de abril de 1974, o livro das "três Marias" (como passaram a ser chamadas as autoras) explodiu como bomba invisível e provocou rea ção imediata do "pensamento oficial" do país.Para quem acompa nhava (tão de perto quanto possível, dada a enorme distância que nos separa da terra-matriz) o fenômeno cultural/literário português, foi bastante compreensível a drástica reação oficial, determinando a apre ensão dos livros e iniciando um processo judicial contra as "três Ma rias" por desacato ao pudor e aos bons costumes.A verdade é que, apesar de aparentemente lúdica e descompromissada, certa linha experimentalista da Literatura Portuguesa, ante rior ao "25 de abril", se mantinha visceralmente comprometida com uma denúncia de raiz: a da total esterilização vital do homem portu guês, levada a efeito por um Sistema totalitário opressivo, e castrador (1).
Source: Língua e Literatura
Author: Nelly Novaes Coelho
Language: Portuguese
Subfield: Literature and Literary Theory
Field: Arts and Humanities
Domain: Social Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W2741040632
