Work

“Requiem” por uma “terra morta”

Year: 1975
Type: article
Abstract: Maria Aparecida Santilli ISe é lícito dizer -com o faz o escritor negro angolano G eral do Bessa V itor -que Tom ás Vieira da Cruz, apesar de suas raízes européias, foi o prim eiro a fazer a poesia da "negritude africana de expressão portuguesa", não será menos válido registrar tam bém C astro Sorom enho, entre os pioneiros a escreverem o rom ance do hom em negro, em Á frica colonizada por P o rtu g al. A Vida da "Terra" a "Terra Morta"Quem percorre a obra de ficção de Castro Soromenho, escritor nascido em Moçambique, em 1910, e falecido em São Paulo, em 1968 (Histórias da Terra Negra, Noite de Angústia, Terra Morta, Viragem, A Chaga), roda pelos caminhos de uma terra em transe, chegará ao fim de uma penosa trilha de iniciação nos sucessos que conformam a alma africana e naqueles que a viriam abalar, ao choque eletrizante das raças, à contundência de povos adventícios e nativos, ao atrito de estruturas sociais desirmanadas, em que os ritos sacrificais acabam sendo os da imolação do homem de África, como o "pharmakós" que deve sucumbir para consumar-se, na satisfação de cupidez de mais fortes, o aniquilamento dos mais fracos.Nos seus contos, como sejam "Calenga e a lenda dos rios do amor e da morte", "Sueji e Ilunga na terra da amizade", Castro So romenho familiariza o leitor com o mundo mágico-mítico primevo de África, convida-o a conhecer as leis e princípios, as crenças por que se regem as tribos indígenas, as escalas de valor pelas quais se orien tam, unem-se ou se digladiam em seu "habitat" Em Noite de Angústia a ficção ganha terreno, centrando-se a trama romanesca sobre um crime de morte por feitiçaria, através do qual se penetra na vida íntima dos lundas em que o processo de in vestigação e punição, findando por envolver em suas teias o próprio
Language: Portuguese
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W2741050357
FWCI:
Cites:
Cited by: 2
Related to: 10