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A paisagem, a natureza e a natureza das atitudes do homem

Year: 1992
Type: article
Abstract: A paisagem, como manifestação da criatividade humana, apresenta uma essência dupla: é um fato físico, objetivo, categorizável e é um processo criativo contínuo, incapaz de encontrar um arranjo definitivo, de configurar -se como uma realidade imóvel, de apresentar uma concepção estática.Aomesmo tempo que é uma construção espacial coletiva, rica em detalhes minuciosos, é também capaz de oferecer grandes visões de conjunto, e talvez seja seu caráter não finito, associado a essa complexidade qualitativa e dimensional o que torna difícil sua apreensão global, sua leitura profunda.Embora a paisagem encerre uma infinidade de fatores e elementos e seja, portanto, objeto de interesse e estudo de diversos campos de conhecimento, as idéias envolvidas na sua concepção e na sua "construção", estão relaciona das, de um lado, com seu conhecimento e interpretação e, de outro, com a experiência individual ou coletiva com respeito a ela1 Se é possível, através do conhecimento e interpretação da paisagem, elencar e até mesmo precisar seus elementos fundamentais, deve-se reconhecer que es ses elementos não são duradouros, mas ao contrário, estão em contínua e in cessante mutação.Da mesma forma, a experiência individual ou coletiva está, também ela, sujeita a variações contínuas, a uma dinâmica que deriva do pro cesso histórico de qualificação, sobre o qual incidem os fatores mais variados, caracterizados pela evolução das relações políticas, econômicas, sociais, pelo desenvolvimento das técnicas, das artes, das religiões da filosofia.O homem sempre criou ao seu redor um ambiente que é uma projeção de suas idéias abstratas.Cada momento histórico tem uma paisagem, reflexo da relação circunstancial entre o homem e a natureza e que pode ser vista como a ordenação do ambiente, de acordo com uma imagem ideal.As mudanças nas atitudes do homem com relação à paisagem sempre foram marcadas por uma poderosa atração pela natureza.Essa atração está pre sente, tanto na paisagem submissa dos jardins do mundo clássico 2, quanto no caráter social da paisagem contemporânea 3 A forma pela qual a paisagem é projetada e construída, reflete, de perto, certos gostos e modas que se baseiam, tanto na observação objetiva do am biente, quanto em conceitos filosóficos permanentemente em evolução.Desde que se admita que a paisagem é uma mistura de arte (caracterizada pela escolha) e ciência (caracterizada por fatos objetivos), é possível compre ender que suas modificações, a renovação das formas antigas ou a criação de novas formas que atendam a novos estilos de vida, são dependentes das con quistas em cada um desses campos, dependentes do valor que é atribuído a eles em cada momento.Em resumo, mais importante que as mudanças da noção de paisagem são as mudanças da nossa capacidade de captar-lhe a essência, de compreender algo que preexiste a nossa compreensão 4 Até o séc.XVII a distinção entre as artes e as ciências, se era reconhecida, era muito mal definida.É aceito de maneira geral, que a fundação da Royal Society, em 1660, constituiu um marco do reconhecimento formal da ciência como algo diferente das artes5 Infelizmente, essa distinção é a raiz dos muitos problemas existentes para o entendimento da atração que a paisagem exerce sobre as pessoas, de muitas formas diferentes.Para que o contato com a paisagem se dê simultaneamente através de seu conhecimento e interpreta ção e da experiência individual e coletiva a seu respeito, é necessária uma aproximação maior entre seu lado artístico e seu lado científico.A paisagem, ao contrário de outras formas de arte, é efêmera.Seus princípios de organi zação, assim como os da arquitetura, da pintura, da música e da literatura, são constantemente questionados e modificados pela evolução da sociedade, das ciências e das técnicas.Entretanto, essas outras formas de arte possuem um tipo de registro que permanece através dos tempos, o que não acontece com a paisagem que, ao assumir novas feições, anula as anteriores ou con serva delas apenas alguns vestígios.PAISAGEM DOS OBJETOS As civilizações do mundo antigo, estabeleceram com o ambiente uma relação de sobrevivência imediata.Suas preocupações em controlar e embelezar a paisagem, envolviam, num conjunto solidário, conhecimentos de botânica, agricultura, engenharia e estética, com a religião desempenhando um papel maior ou menor na explicação do inexplicável, de acordo com a convivência mais ou menos harmoniosa dos homens com a natureza.Não havia uma visão de conjunto, uma vez que as relações com o entorno eram estabelecidas apenas numa área mais ou menos bem delimitada, onde se desenvolvia a vida
Language: Portuguese
Subfield: Archeology
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W2742450854
FWCI: 5.444
Cites: 13
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