Year: 2021
Type: book-review
Abstract: A publicação do vigésimo segundo volume de Estudos Arqueológicos de Oeiras (na verdade o vigésimo terceiro, uma vez que há um volume sem número em 1994) é, ao mesmo tempo, uma garantia e um motivo de regozijo.Uma garantia porque permite criar esperanças sobre a continuidade das publicações arqueológicas em Portugal.Um motivo de regozijo porque o feito de José Leite de Vasconcellos pode ser igualado e, assim se deseja, ultrapassado.Ao publicar os 30 volumes da primeira série de O Archeologo Português o sábio do Restelo marcava a solidez de um projecto e a própria determinação, que sempre foi a dele, de garantir um abrigo para autores perdidos, jovens e menos jovens.E para ele próprio.O sábio do Funchalinho segue-lhe as pisadas... João Luís Cardoso começou a série dos EAO e continuou, nem sempre com facilidades, uma missão similar à de Leite de Vasconcellos.Que maior elogio se lhe poderia fazer ?Tudo se passa como se os primeiros seis volumes dos EAO fossem um ensaio do que poderia vir a ser a série.Conscientemente, ou por simples acaso, este enumerar de possibilidades -volumes monográficos, reedições de títulos desaparecidos há muito, Actas de Congressos, Revistas científicas em edição standard, configura um projecto que se tornou (felizmente) quase uma obsessão para o seu motor.Enumeradas as possibilidades, a execução segue o curso natural dos acontecimentos.Claro que um sítio constitui a espinha dorsal desta série.Liceia é, pela sua importância intrínseca e pela ligação efectiva (e afectiva) que João Luís Cardoso criou com ele, objecto central de um regresso mais ou menos regular.E o percurso, se pode parecer sinuoso, corresponde a uma busca de informação pluridisciplinar que constitui um exemplo raro em Portugal.Vila Nova de S. Pedro foi objecto de estudos incessantes por Afonso do Paço, mas as perspectivas são sempre as mesmas.Para Liceia, João Luís Cardoso vai usando os investigadores disponíveis para completar ângulos de visão, desde a fauna à pedra polida, desde a cerâmica decorada ao marfim.Liceia e as suas muralhas estão presentes até no logótipo, um pouco retro, que todos os volumes mantêm na capa, associando-se à folha de acácia e à folha de crucífera, ícones do Calcolítico das penínsulas de Lisboa e Setúbal.
Author: Victor S. Gonçalves
Language: Portuguese
Subfield: Cultural Studies
Field: Social Sciences
Domain: Social Sciences
Open Access status: hybrid
OpenAlex ID: W2909899586
