Year: 2018
Type: editorial
Abstract: No Brasil, as Ciências Sociais, Humanas e da Saúde Coletiva têm produzido abundante literatura sobre HIV/Aids, políticas e subjetividades desde o início da epidemia.Suas análises têm contribuído para relativizar conceitos elaborados pela epidemiologia (Ayres et al., 2007), compreender sentidos atribuídos pelos sujeitos à doença e para a construção de planos e políticas mais próximos das realidades culturais (Parker, 2009;Paiva et al., 2006).A quarta década da epidemia no país tem sido marcada por transformações nos discursos e nas estratégias de prevenção e de assistência, quando observamos maciços investimentos na ampliação do tratamento destinado às pessoas vivendo com HIV/Aids, bem como em estratégias preventivas baseadas em medicamentos.Essas intervenções parecem responder a uma lógica tecnocrata e biomédica, em detrimento da perspectiva ancorada nos direitos humanos e na vulnerabilidade que predominou entre as décadas de 1990de e 2000de (Monteiro et al., 2018, no prelo;, no prelo;Ferraz & Paiva, 2015).Prevalece hoje uma retórica do otimismo perante o controle da epidemia -propalada internacionalmente -em que resta pouco espaço para compreender a produção de significados, subjetividades e modos de cidadania.Diversos ativistas e acadêmicos vêm denunciando o caráter falacioso da visão ufanista atrelada à estratégia 90/90/90, que não dá conta do aumento dos casos de HIV em populações específicas (sobretudo entre homens jovens HSH e entre travestis e transexuais) (Kerr et al., 2018;Rios, Paiva & Brignol, 2018), dos matizes morais e ético-políticos em torno da implementação e da disponibilização das novas tecnologias preventivas (Ferraz & Paiva, 2015), nem das dificuldades que acometem as pessoas vivendo com HIV/Aids num Brasil em que a desigualdade, a pobreza e a miséria voltaram a aumentar, e o SUS amarga os efeitos de uma perversa política de contingenciamento de despesas (Seffner & Parker, 2016).Há de se somar a tudo isso o esvaziamento público das discussões sobre gênero e sexualidade como efeito do avanço dos setores conservadores no poder público, e que tendem a se fortalecer na atual conjuntura política.A diminuição das campanhas de prevenção, que são inclusive objeto de censura, acompanhadas do aumento de estigma, discriminação e preconceito contra aqueles considerados "desviantes" no campo da sexualidade -LGBTTs, profissionais do sexo, entre outros -formam um solo fértil para o aumento das infecções em grupos específicos, num momento em que são enfaticamente celebradas as conquistas biomédicas em relação ao tratamento e à prevenção (Parker, 2015(Parker, , 2016;;Seffner & Parker, 2016;
Language: Spanish
Subfield: Infectious Diseases
Field: Medicine
Domain: Health Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W2911280546
