Year: 2019
Type: article
Abstract: Aos que entram nos mesmos riosafluem outras e outras águas.Heráclito, fragmento 12, 2012, p. 47.A relação estreita entre o desenrolar da história humana e os movimentos das águas na superfície terrestre, especialmente os movimentos dos rios que cruzam os continentes para além dos espaços litorâneos, pode ser pensada, de início, por meio de algumas poderosas metáforas.Heráclito de Éfeso, no século VI a.C., usou o rio como imagem da história em seu sentido mais amplo: o próprio fluxo da existência.A renovação permanente das águas do rio, que ao mesmo tempo persiste como uma unidade definida pelas suas margens, indica o jogo complexo entre mudança e continuidade que pode ser observado no acontecer do mundo.Milênios mais tarde, em seu livro clássico, publicado em 1946, O Mediterrâneo e o Mundo Mediterrânico na Época de Filipe II, Fernand Braudel também usou o movimento das águas como metáfora para os diferentes níveis de profundidade em que se pode analisar a História, apresentando os "acontecimentos" como "cristas de espuma levantadas pelo poderoso movimento das marés" (Braudel, [1946(Braudel, [ ]1995, p. 25), p. 25).
Source: Revista Brasileira de História
Authors: José Augusto Pádua, Rafael Chambouleyron
Language: Portuguese
Subfield: History
Field: Arts and Humanities
Domain: Social Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W2964656180
