Year: 2019
Type: article
Abstract: Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições, desde que o trabalho original seja corretamente citado.Neste texto, pretende-se estabelecer um diálogo com professores e pesquisadores que orientam estudantes de graduação e pós-graduação sobre temas relacionados à saúde.No entanto, antes de adentrar a especificidade da supervisão relacionada ao tema, considera-se importante discutir, de forma introdutória, sobre o que é orientar e sobre o que esperar de um orientador e de um orientando.Há três premissas básicas nesta discussão.A primeira: orientação é inter-relação entre uma pessoa mais experiente academicamente -não um sabe-tudo -e um estudante que dá início ou continuidade à carreira de pesquisador 1 .Ela pode e deve ocorrer, de forma complementar, em sessões grupais 2 , em que professores, orientadores e colegas discutem em conjunto o tema de um estudante.Na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, por exemplo, essas sessões se denominam "seminários avançados de dissertação e tese".Embora essa modalidade seja importante, particularmente por permitir uma socialização dos objetos e das angústias pessoais, esse segundo formato precisa ser muito bem desenhado para não se transformar em um momento de palpites que podem desorientar mais que colaborar com o estudante.A segunda premissa é a seguinte: sendo um ato técnico-profissional, orientar é também uma arte carregada de sentido humano e requer cuidados e precauções.A terceira: nos estágios de elaboração de monografias, dissertações e teses, as pessoas já se encontram nos níveis mais elevados de sua formação educacional.Portanto, o estudante que acorre a um professor ou pesquisador para ser orientado já é uma pessoa com bagagem acadêmica, conhecimentos e experiências que devem ser reconhecidos e compartilhados, por mais famoso que seja seu supervisor.Embora fosse justo dissertar a respeito da díade orientador/orientando, esta introdução enfatiza o papel do orientador e utiliza questões trazidas por estudantes apenas para ilustrar os questionamentos sobre essa tarefa acadêmica de crucial importância para as instituições e a sociedade.Considera-se, pois, de um lado, que a orientação deve ser abordada como uma atividade exercida por "professores--pesquisadores" no cumprimento de sua agenda acadêmica e, por isso, recebem créditos 3,4 .De outro, ela precisa ser tratada pelos que a exercem como o encontro entre dois seres humanos inteligentes que podem se complementar.Entre eles pode haver maior ou menor empatia, mas nunca falta de respeito e de compromisso que prejudiquem a construção de conhecimentos ou a saúde mental de ambos, particularmente da parte mais fraca, que é o estudante.Existe hoje uma vasta literatura internacional que trata a orientação como um trabalho profissional multifacetado e como uma das mais complexas e importantes tarefas acadêmicas 1,4,5,6,7,8,9,10 .Segundo os muitos autores consultados para a elaboração deste texto, a orientação é reconhecida Orientação de mestrandos e doutorandos como atividade profissional
Source: Cadernos de Saúde Pública
Author: Maria Cecília de Souza Minayo
Language: Portuguese
Subfield: General Health Professions
Field: Health Professions
Domain: Health Sciences
SDG: Quality education
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W2978030185
