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Blacks sob vigilância

Year: 2018
Type: book-chapter
Abstract: A esquerda nacionalista e a alienação do soul "Black Rio: o orgulho (importado) de ser negro no Brasil", texto publicado em 17 de julho de 1976, é considerada a primeira matéria jornalística de relevo que trouxe para a Black Rio os holofotes da imprensa e chamou a atenção da cidade para a cena dos bailes.De autoria de Lena Frias (Marlene Ferreira Frias, 1943-2004), a reportagem de capa do segundo caderno do Jornal do Brasil revelava os bastidores do movimento, mas denunciava, nas entrelinhas, a crítica à vocação dos seus participantes para a celebração de uma identidade vista como "americanizada".Lena Frias, naquele momento, se consagrava como jornalista e pesquisadora influente da música popular e cultura brasileira.Tinha trânsito livre entre compositores e intelectuais de esquerda e era ligada ao universo do samba e do Carnaval particularmente.No Jornal do Brasil, produziu outras reportagens de grande teor investigativo -chegando a se mudar para a Cidade de Deus para uma reportagem sobre a comunidade -e era entusiasta e amiga de artistas populares, como Clementina de Jesus e Candeia, defensora da "autêntica" cultura popular. 1 Falar sobre a Black Rio, de certa forma, era uma novidade em relação aos seus temas comuns de reportagem.Convidada por um contínuo do jornal, um jovem branco chamado Everaldo -que se vestia como black para ir às festas -, Lena Frias foi pela primeira vez a um baile soul no clube Maxwell, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio. 2 A jornalista -ela mesma afrodescendente -também considerava o crescimento da Black Rio como um reflexo da segregação racial, portanto, não totalmente desprovido de valor e legitimidade.
Language: Portuguese
Open Access status: bronze
OpenAlex ID: W2988265446
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