A poética indígena como resistência: por uma abertura na literatura brasileira contemporânea
Year: 2020
Type: article
Abstract: Há 500 anos, os povos indígenas r(existem) em sua pluralidade. Contra a guerra unificadora do Estado, a abertura ao múltiplo. De um lado dessa guerra, impondo uma língua única, está a pátria e sua “língua paterna”; do outro, a língua materna dos povos plurais, língua-mátria, língua-terra, língua com a qual se tem uma relação de afeto, e não de comando; de pertencimento, e não de propriedade; de cuidado, e não de mercadoria. Não se trata, no entanto, apenas de preservar a língua materna, a resistência também se faz no devir-menor que ela realiza na língua maior. Um devir que desvia a língua paterna de seus propósitos estatais homogeneizadores, de sua violência excludente. A agência da literatura ameríndia, como uma rasgadura em nossa história cultural, coloca nosso etnocentrismo e antropocentrismo em questão, abertura de nosso mundo tão fechado em si mesmo para outros mundos.
Source: Revista Crítica Cultural
Author: Ana Carolina Cernicchiaro
Institution: Universidade do Sul de Santa Catarina
Language: Portuguese
Subfield: Literature and Literary Theory
Field: Arts and Humanities
Domain: Social Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W3089226579
