Year: 1969
Type: article
Abstract: Jorge Calvário dos Santos (*)O melhor e mais profíqüo investimento é o aprendizado. IntroduçãoUma das características do mundo contemporâneo é a velocidade e profundidade com que as mudanças ocorrem.Isso é um grande desafio e também fonte de sérias preocupações.Valores, conceitos e padrões oriundos do momento histórico iniciado com a Revolução Industrial, não mais conseguem atender as necessidades das organizações.Para Hobsbawm, o momento histórico atual indica possibilidades de mudanças que exigem novas formas de compreensão do significado dos fatos e das coisas.Entretanto, faz-se necessário que conceitos antigos sejam revistos e entendidos sob uma dimensão mais adequada ao atual momento histórico.As organizações para atenderem adequadamente as necessidades do mundo atual, necessitam de nova configuração, pois só assim terão melhores condições de sobreviverem como tal.Uma nova configuração é fundamental para que as organizações possam interagir, relacionarem-se com outras e, adquirirem condições de sobrevivência.É importante lembrar, que as modalidades de contato no relacionamento entre os homens, entre as organizações, assim como entre as nações, são três: cooperação, competição e conflito, assim definidas:-Cooperação -Quando dois ou mais homens, empresas ou nações se unem em busca dos mesmos objetivos;-Competição -Quando dois ou mais homens, empresas ou nações buscam os mesmos objetivos, preservando nessa busca algumas regras previamente acordadas;-Conflito -Quando dois ou mais homens, empresas ou nações buscam os mesmos objetivos, não se prendendo a nenhuma regra previamente acordada.O que faz a mediação entre as formas de contato é a estratégia.Esta é a questão fundamental, pois aqui cabe perguntar: quem é que define a estratégia?Certamente, no mundo político, não é qualquer Estado Nacional que define a política e muito menos a estratégia, mas aquele que detém significativo poder nacional.No mundo empresarial ocorre o mesmo.Não é uma simples empresa que define a estratégia.Constata-se que as empresas mais poderosas, as grandes corporações ou grandes oligopólios, sempre definirão a estratégia.Logo, determinarão a forma de relacionamento que lhe seja mais favorável, ou seja, a competição, que na verdade esconde o conflito, pois não há regras acordadas pelas partes envolvidas na interação.Em nome da competitividade, da competição (considerando sua definição), da modernidade, da produtividade (considerando seu verdadeiro significado), da Globalização, de uma nova era, de uma atividade incessante, a servidão termina por transformar-se em uma nova e efêmera liberdade que acaba em servidão, quem sabe, perpétua.Ainda que o sonho esperado da modernidade seja, dentre outros, a emancipação social, a autodeterminação do homem, maior autonomia, o que acontece é a asfixia do homem, do ser ontológico.Isso, de fato é a aceitação voluntária ou induzida de um sofrimento, do fim da esperança e da impossibilidade da felicidade, o fim do homem, do ser humano.A competição, tal como ocorre neste final de século, considerando a sua definição, termina por converter-se numa competição totalitária, tendo como objetivo o poder, a riqueza, o domínio sobre as crenças dos homens, mas, como diz Bertrand Russell, acima de tudo, a própria vida, que pode levar por conseqüência a definição sobre o futuro das organizações e das nações em desenvolvimento.Tudo isso leva à incerteza que caracteriza o mundo desse final de século.Mas, nesse panorama, em que as organizações que terão condições de competir no meio empresarial, são as organizações que aprendem, as que se propõem a instituir Times de Aprendizagem.Os Times de Aprendizagem, são coesos, possuem objetivo comum e seus membros, cooperam entre si e com a organização, de modo a criar condições de sobrevivência e aumentar a capacidade competitiva da organização e, assim viabilizar melhores condições e esperança quanto ao futuro.Um dos componentes de nova configuração é o conceito de "Core Competence", surgido em 1990, na "Harvard Business Review", em artigo intitulado "The Core Competence of the Corporation", de autoria de Gary Hamel e C. K. Prahalad."Core Competence" designa as competências estratégicas, únicas e distintivas de uma organização.Poderá ser, por exemplo, um conhecimento técnico ou uma tecnologia específica que é suscetível de oferecer um valor único para os clientes e que distingue a empresa de suas concorrentes.Para os autores, poucas companhias poderão ser líderes mundiais, em mais de cinco ou seis competências estratégicas.As organizações, no novo conceito, devem ter uma configuração que se aproxime da figura 1, pois essa configuração dará condições básicas à organização, de preparar-se para o ambiente incerto e competitivo.Isto porque, a nova configuração propõe que a organização considere, sua cultura, a visão prospectiva e a estrutura adequada ao ambiente em que a organização funciona, como entidades fundamentais ao seu funcionamento harmônico e adequado ao ambiente externo.O núcleo da organização deve ter como base para todo e qualquer planejamento, a definição de sua política, o poder que necessita ter para implementar sua política e a estratégia adequada para colocar os meios necessários para atingir o objetivo definido pela política.Cultura, refere-se aos valores, crenças, práticas, ritos e costumes de uma organização e constituem uma tradição.Na organização que aprende, a cultura corporativa, é reconhecida como o ponto crítico para o sucesso, onde o aprendizado torna-se hábito e parte integrante do processo funcional.Tal como os indivíduos, as organizações são o que é sua cultura.Visão prospectiva, antecipa objetivos e direção para o futuro.É a imagem da organização que é transmitida interna e externamente.Mostra o futuro desejado pela organização de modo a motivar e induzir à criação.Estrutura, inclui departamentos, divisões, níveis e configurações da instituição.A organização que aprende, maximiza os contatos, fluxos de informações, responsabilidades e colaboração interna e externa.
Author: Jorge Calvario dos Santos
Language: Portuguese
Domain: Social Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W3115956864
