Year: 2021
Type: article
Abstract: A autobiografia de Angela Davis foi originalmente publicada quando a autora tinha 28 anos, em 1974, mas somente em 2019 recebeu sua publicação brasileira pela Editora Boitempo, contando com prefácio Raquel Barreto e a orelha de Anielle Franco.Ao ser questionada sobre seu conteúdo durante sua estada no Brasil, Angela Davis descreve como uma "autobiografia de um movimento" (Mídia NINJA, 2019, 8'36").Essa definição é evocada por entender o gesto de biografarse como forma de narrar lutas coletivas às quais se articulou ao longo de sua trajetória pessoal e acadêmica.A autora, filósofa e professora emérita da Universidade da Califórnia, integrou o Partido Comunista dos Estados Unidos e foi próxima aos Panteras Negras na década de 1970.Sua visibilidade ganhou alcance mundial pela mobilização que seu encarceramento gerou pela via da campanha "Libertem Angela Davis" (Angela DAVIS, 2019, p. 267-320).Para além disso, sua trajetória pessoal e acadêmica ganhou notoriedade pela atuação no combate ao racismo, na luta pela interseccionalidade e na resistência às políticas de encarceramento (Isabela ALEIXO, 2019).Por esse motivo, a publicação é especialmente voltada considerando sua trajetória profissional, pessoal e de engajamento.A autora faz a opção de organizá-la fora da ordem linear do tempo.Sendo assim, os capítulos -"Redes", "Rochas", "Águas", "Chamas", "Muros" e "Pontes" -versam sobre momentos distintos de sua vida que não necessariamente são dispostos em maneira cronológica.O primeiro deles se dedica a uma detalhada narração do período passado no cárcere 1 em Nova York até sua extradição para a Califórnia.O título escolhido é duplamente conveniente pelos dois possíveis sentidos para o termo "rede".O primeiro faz alusão a um gesto de aprisionamento, que conversa diretamente com sua experiência no cárcere e encontra respaldo na citação apresentada em seu início -"a rede será rasgada pelo chifre de um bezerro saltitante" (DAVIS, 2019, p. 23).Há, porém, o segundo significado, que faz alusão a uma rede de apoio que serve não para aprisionar, mas para sustentar.Esse sentido ganha força quando são descritas as experiências de engajamento pessoal e coletivo no cárcere.Chama atenção o uso reiterado do termo "irmãs" (DAVIS, 2019, p. 43; 48; 62; 64; 68; 69) para se referir às demais encarceradas e a descrição constante dos levantes sucessivos pela sua libertação que tomaram corpo dentro e fora do espaço prisional.
Source: Revista Estudos Feministas
Author: Carolina Cechella Philippi
Institution: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)
Language: Portuguese
Subfield: Literature and Literary Theory
Field: Arts and Humanities
Domain: Social Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W3123907118
