Year: 2021
Type: article
Abstract: ApresentaçãoFronteiras étnicas, biodiversidade, conflitos e resistências na Amazônia Amazônia é um espaço onde diferentes grupos sociais com nacionalidades distintas convivem, constituindo fronteiras não só territoriais, mas também fronteiras étnicas com interações e tensões sociais.Além de incluir seis estados do Brasil (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima) e parte de outros três (Maranhão, Mato Grosso e Tocantins), a Amazônia está presente em mais oito países latino-americanos: Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.Este cenário revela um complexo emaranhado de relações culturais, políticas e econômicas, permeadas por marcadores de gênero, raça/etnia, classe social e religião.Assim as diferenças étnico-raciais são características marcantes da Amazônia, fazendo parte de um complexo fronteiriço internacional.Ademais o constante trânsito de pessoas dos países fronteiriços impõe aos mesmos processos que constituem suas identidades na fronteira entre a identidade nacional e internacional, reforçando as dinâmicas de reconfiguração.Ressalta-se que, os projetos implantados na Amazônia são elaborados a partir de fora da região e, muitas vezes representam interesses das elites regionais, nacionais e internacionais, mas ignoram as preocupações dos seus habitantes, nem possuem a sensibilidade ambiental necessária para a preservação do ecossistema, colocando em perigo a sua integralidade.Neste sentido, os direitos fundamentais são rotineiramente violados.Não são poucos os lugares onde o Estado de Direito é desconhecido, atropelado pelo poder financeiro que, não raro, resulta de financiamento público e de atividades ilegais que movimentam fortunas, subjugam povos, aniquilam o meio ambiente, tornando o crime a prática habitual e inconteste.Esta lógica predatória que vem historicamente se consolidando na Amazônia gera conflitos causados, principalmente pelas políticas de desenvolvimento adotadas nesta imensa região, desembocando consequências desastrosas tanto para a sua biodiversidade quanto para as múltiplas etnias que a habitam.Estes conflitos perpassam não somente as zonas urbanas, mas também emergem nas áreas rurais, atingindo as comunidades tradicionais, principalmente, indígenas e quilombolas.Tais conflitos possuem repercussões nacionais e internacionais, não somente por estarmos tratando de uma região importante na manutenção do ecossistema planetário (temperatura, umidade e diversidade biológica), mas também por ser um espaço vital que revela grupos sociais singulares, uma vez que abriga centenas de povos e culturas diferentes.Contudo há uma resistência a estes processos de exclusão e desigualdades que se manifesta através de movimentos sociais e organizações da sociedade civil, tais como: o Movimento Negro, Movimentos/Organizações Indígenas, Comunidades Quilombolas e Comunidades Tradicionais de Terreiros, reunindo grupos étnico-raciais que contribuíram na formação social e cultural da região.Tais grupos, que pelo revés da história, muitas vezes foram invisibilizados e silenciados, contemporaneamente, fazem o enfrentamento para construção de outra história de reconhecimento da dignidade humana.No campo das ciências humanas e sociais, percebe-se o esforço intelectual, com consideráveis avanços na compreensão da Amazônia, sendo perceptível o crescimento de inúmeros estudos, desenvolvidos em diversos programas de pós-graduação vinculados a universidades presentes na região.Todavia, há ainda temas a serem pesquisados, ou outros que necessitam ser revisitados com enfoques diferenciados, relacionando questões ambientais, econômicas, sociais, culturais.Comtemplando algumas destas questões, o dossiê nos brinda com quatro artigos sobre a Amazônia brasileira.Seguindo o percurso do processo de colonização da região, que produziu conflitos socioambientais à medida que avançava em direção ao Oeste, iniciamos este número com um artigo produzido no Estado do Pará intitulado, "ensino remoto em tempos de pandemia: reflexões a partir dos estudantes de Ciências Sociais em Marabá -Pará".Este artigo, que é fruto de um esforço coletivo, retrata as dificuldades do ensino remoto na Faculdade de Ciências Sociais do Araguaia-Tocantins (Facsat), da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), em participar do semestre letivo, que iniciou em setembro de 2020.Neste trabalho, os autores mostram, através de uma pesquisa quantitativa e qualitativa, as condições limitadas de acesso dos estudantes a equipamentos eletrônicos adequados, redes de dados disponíveis e estrutura física básica para estudos, que se impõem como barreiras à sua participação em aulas na modalidade remota, nos alertando que a universidade não poderia desconsiderar a realidade desses discentes sob pena de contribuir para aprofundar a exclusão social.É inegável que estas descobertas dizem respeito de alguma forma a todo o Brasil, que ainda se encontra diante do desafio da exclusão digital e tenta encontrar caminhos de integração entre a educação e a tecnologia.O segundo artigo do dossiê expõe as tensões do processo de constituição identitária de povos quilombolas na fronteira do Estado do Amazonas com o Pará.
Source: Ciências Sociais Unisinos
Authors: Sandoval Alves Rocha, Renilda Aparecida Costa, Nelson Obregón Neira
Language: Portuguese
Subfield: Anthropology
Field: Social Sciences
Domain: Social Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W3203093106
