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Lembranças

Year: 2008
Type: article
Abstract: Mariza PeiranoA relação de orientação na antropologia produz elos de uma seqüência de gerações intelectuais e revela momentos sui generis em que a teoria é vivida em diálogo entre um professor e um estudante.A orientação é a base da formação de linhagens acadêmicas e intelectuais.Penso que uma relação deste tipo nunca tem fim.* Conheci David Maybury-Lewis em julho de 1975, no Rio de Janeiro, logo após ser aceita como aluna em Harvard.Ele e Pia estavam no Brasil, hospedados na casa de Bruce Bushey, representante da Fundação Ford, da qual eu havia recebido uma bolsa de doutorado no exterior.soube, então, que seria sua orientanda.Na época, surpreendi-me.Na Universidade de Brasília, onde eu havia realizado o mestrado, a escolha do orientador era um processo de mão dupla, um acordo que íamos tecendo ao longo do primeiro semestre de aulas.Depois vim a entender que, nos Estados Unidos de então, e até hoje, aliás, domina uma tendência de os orientadores de antropologia serem definidos por áreas geográfica e cultural.Assim, era natural que David fosse automaticamente designado meu orientador.Mas esta não era uma situação inalterável.Muitos colegas brasileiros escolheram outro orientador quando definiram melhor seus temas de pesquisa.Contudo, após o primeiro ano, isto é, depois de fazer os dois cursos de teoria obrigatórios ministrados por David, ficou claro, para mim, que eu o queria como meu orientador, no matter what.Havia uma razão central: seus padrões de exigência eram imbatíveis.Eu perseguia desafios intelectuais; David os oferecia sem tréguas.Penso que sempre confiei mais na exigência do que na condescendência -a exigência nos dá parâmetros nos quais podemos encontrar nossa própria liberdade; a condescendência nos confunde.
Source: Mana
Language: Portuguese
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W4239908143
FWCI: 1.155
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