Work

Editorial

Year: 2009
Type: editorial
Abstract: Scientiæ z z z z zudia dedica este número inteiramente aos fundamentos da psicologia do século xx.A despeito das diversas controvérsias sobre o caráter científico desse ramo do conhecimento, há relativo consenso sobre a ruptura epistemológica observada a partir das décadas finais do século xix, especialmente em decorrência da teoria da evolução darwiniana e da adoção de métodos experimentais em psicologia.Em linhas gerais, o número enfoca a origem e o itinerário de algumas de suas mais influentes escolas, tomando como referencial inicial os trabalhos de Wilhem Wundt e William James, prosseguindo com reflexões sobre a psicanálise, o behaviorismo e a etologia.Nesta coletânea de ensaios, importa menos a unidade que deveria supostamente perpassar essas visões, do que a multiplicidade dos pontos de vista apresentados.Abre o número o artigo de José Antônio Damásio Abib que reflete sobre as dificuldades de enquadrar a psicologia em um modelo epistemológico de caráter unitário.Conquanto se admita que Wundt e James devam ser considerados como autores fundamentais do pensamento psicológico, a manifesta multiplicidade de escolas de psicologia não permite a unificação de todas elas em torno de um projeto científico comum, de modo que fica comprometida a própria noção de uma verdadeira história da psicologia.Assim, é preciso admitir, nesse caso, um pluralismo epistemológico, de modo que a história da psicologia passa a ser uma história da cultura psicológica, ou seja, história das idéias e das forças institucionais que foram moldando a psicologia ao longo de décadas.No segundo artigo, Saulo de Freitas Araujo fornece uma visão panorâmica da psicologia de Wundt, dedicando especial atenção aos fundamentos filosóficos de sua obra, o que permite desfazer alguns mal-entendidos a respeito da obra wundtiana.Ademais, Araujo explicita as concepções de objeto e método da psicologia, particularmente para os conceitos de paralelismo psicofísico e síntese criadora.Tendo em vista que Wundt é um autor muito mais reverenciado do que lido, é com grande satisfação que se oferece ao leitor esta via de acesso para essa riquíssima teoria psicológica, que não deve ser tomada apenas como uma mera curiosidade histórica.Em seguida, Richard Theisen Simanke discorre sobre a tradicional dualidade entre as ciências humanas e as ciências naturais, analisando a psicanálise freudiana frente a essa divisão.Curiosamente, a obra de Freud, na maioria das vezes, é interpretada como se pertencesse exclusivamente ao terreno das ciências humanas, mas ocorre que tal interpretação oblitera o fato de que o psicanalista austríaco se considerava, antes de tudo, um cientista natural, não deixando dúvidas a respeito de seu posicionamento em prol do naturalismo em psicologia.Simanke discute essa inconsistência nas interpretações da obra de Freud, mostrando como a psicanálise pode ser vista, sobretudo, como expressão de um tipo de naturalismo qualificado que escaparia à dualidade entre as ciências naturais e as ciências humanas.No quarto artigo, Carlos Eduardo Lopes mostra como o projeto de psicologia de Edward Chace Tolman é capaz de evitar tanto o reducionismo fisiológico quanto o reducionismo mentalista.A argumentação, por um lado, envolve o reconhecimento de que o comportamento
Language: Spanish
Field: Psychology
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W4241317639
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