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Improvisando em música popular

Year: 2012
Type: dissertation
Abstract: Prefácio e agradecimentos Os primeiros pensamentos em torno de um estudo sobre improvisação voltada para gêneros brasileiros surgiram durante minha graduação em instrumento (violão clássico) na Universidade Federal da Bahia-UFBA, na cidade de Salvador.Apesar de ter adentrado no universo acadêmico, meus contatos iniciais com a música se deram de maneira bastante informal.Nasci no interior, na cidade de Santo Antônio de Jesus, Recôncavo Baiano.Minha trajetória musical é composta por momentos tais como o aprendizado dos primeiros acordes no convívio do lar com meus tios Aécio e Cléo; a "troca de figurinhas" com os amigos; a observação de músicos mais experientes que tocavam em "bandas de baile" locais; o contato com o rock nacional do final dos anos 90; o som de Armandinho, Dodô e Osmar, as ideias de Raul Seixas, a música de Luiz Gonzaga... Aquele foi o momento de montar as primeiras bandas de rock com os amigos; tocar nas "bandas de baile"; nos trios elétricos no carnaval; viajar para outras cidades para tocar no período do São João; de tocar em bares e restaurantes; conhecer parte do repertório da MPB; fazer aulas particulares; aprender a ler música; estudar um pouco de piano na Escola de Música Mozart; aprender rudimentos do sax soprano na Filarmônica Amantes da Lira; preparar-me para prestar o vestibular e mudar para Salvador.A vivência entre 1998 e 2003 na Escola de Música da UFBA-EMUS foi extremamente importante para mim, momento no qual, pude me dedicar de forma mais rigorosa ao estudo do violão clássico.Estudei violão com os Profs.Drs.Robson Barreto e Mário Ulloa, aprimorei minha técnica e noções de interpretação, tive contato com o repertório da música de concerto europeia, fiz novos amigos, morei na capital do Estado, participei de bandas soteropolitanas, pensei de forma mais séria na carreira artística, dei aulas de instrumento, aulas de teoria musical, viii desenvolvi maior interesse pelo choro, aprendi a tocar bandolim e cavaquinho e fiz meus primeiros concertos como solista.É nesse período que começo a me interessar pela pesquisa acadêmica, através da Profa.Dra.Cristina Tourinho com quem tive o prazer de fazer minha iniciação científica sobre o ensino de violão em grupo (bolsa PIBIC/CNPQ).A UFBA me proporcionou esta base e a Bahia me deu "régua e compasso" para traçar outros projetos pessoais.Em 2004, após a conclusão do bacharelado em violão e depois de atuar por um ano como professor substituto na EMUS, prestei o mestrado no Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas-UNICAMP.O desejo de concentrar os estudos na área de práticas interpretativas em música popular me levou para a UNICAMP.Nessa faculdade tive contato com outras visões de mundo e com outras abordagens, fiz novos amigos, vi novas paisagens, ouvi outros sons... Foi uma época de montar meus trios, quartetos, arranjar, compor, trabalhar exclusivamente com música instrumental, aprender a tocar viola caipira, fazer parte da Orquestra Filarmônica de Violas idealizada pelo Prof. Dr. Ivan Vilela, gravar meu primeiro disco, participar de festivais, ganhar maior experiência como solista e gravar um disco em duo com a cantora e amiga Bel Dias.Durante a pesquisa de mestrado sobre a interpretação de Jacob do Bandolim (bolsa FAPESP), além de me aprofundar mais no universo da pesquisa e me aperfeiçoar ao bandolim, pude retomar aquelas ideias iniciais a respeito da prática da improvisação sobre gêneros populares brasileiros.Gêneros estes que eu já tinha bastante contato e vinha aprendendo a tocar por conta própria, por meio de gravações, observações, etc. Se em um primeiro momento, ainda movido por uma "revolta" um tanto quanto ingênua, eu vislumbrava me aprofundar na prática da improvisação e, de certa forma, sistematizar este processo utilizando apenas a "música brasileira", ou seja, sem consultar qualquer tipo de material que estivesse ligado ao jazz norte americano, estes anos de Universidade me mostraram que as coisas estão mais próximas e conectadas do que parecem.Foi movido por esta visão mais ampla, e com o intuito de juntar forças e somar os ix conhecimentos adquiridos durante minha vivência musical dentro e fora da academia, que me dediquei a escrever esta tese.Acredito que o trabalho esteja mais voltado para a parte prática, com algumas passagens que apontam de forma breve para a educação musical.Embora haja um esforço para oferecer uma contextualização sociocultural sucinta das práticas musicais, este estudo é direcionado principalmente para instrumentistas que almejam refletir e desenvolver atividades ligadas ao ofício da improvisação idiomática.Não obstante, é possível que o levantamento de material musical e procedimentos apresentados aqui, possam ser úteis para aqueles que visam trabalhar com arranjo ou composição no âmbito de gêneros populares, especialmente do choro, do frevo e do baião.Não há a intenção de oferecer um método propriamente dito, e sim, um conjunto de atividades práticas, reflexões, sugestões, abordagens e discussões sobre o estudo da improvisação em música popular.Tais insights aparecem ao longo do texto e estão concentrados nas partes que apresentam sugestões sobre a prática da improvisação.Espero que tais sugestões possibilitem maior aproximação sobre o assunto e que muitas outras atividades, disciplinas, ferramentas e práticas surjam em trabalhos futuros.Para mim foi um exercício desafiador colocar no papel, isto é, traduzir em palavras os procedimentos musicais, pequenos detalhes de articulação e nuances estilísticas que, enquanto músico, tenho mais facilidade de compreender e ilustrar tocando, do que escrevendo.
Language: Portuguese
Subfield: Music
Open Access status: gold
OpenAlex ID: W4252653224
Cites: 22
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