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Year: 2022
Type: article
Abstract: Neste dossiê, buscamos trazer estudos sobre a diversidade narrativa no contexto da América Latina, ao mesmo tempo, em que são abordadas discussões necessárias em meio às vivências sociais nos mais diferente contextos.Diante disso, a edição faz uma reflexão acerca da representação da mulher indígena; da condição feminina figurada em uma literatura da Amazônia brasileira; a mulher enquanto discurso político em um sistema patriarcal; análises de resistência lírica e decolonial, auxílio na superação do racismo estrutural no país; considerações sobre a relevância da literatura indígena para o processo de ressignificação histórica, cultural e social dos povos originários; essas são algumas das questões aqui discutidas e pertinentes para se pensar no âmbito social e acadêmico.Assim, este dossiê contempla artigos nas esferas de pesquisas antropológicas, sociológicas e bibliográficas sobre as figurações da vida social na literatura, pesquisas que esboçam e analisam condutas cotidianas de resistência, de saberes culturais, simbólicos e emocionais que reconstroem discursos sociais e políticos.O artigo intitulado A condição feminina no conto "Maibi", de Alberto Rangel, consiste em uma análise bibliográfica acerca da representação da mulher indígena e da condição feminina figurada na personagem Maibi, protagonista da narrativa.Nesse viés, aborda-se nesse trabalho a exploração sexual, o feminicídio e a subalternização da mulher na Amazônia no ciclo da borracha.Na sequência trazemos o artigo intitulado A Mulher Inscrita e a Escrita da Mulher: dos vestígios da memória social, o encontro com novas identidades em Maria Lúcia Medeiros.Nele verifica-se o discurso feminino por meio do conto Zeus... ou a menina e os óculos da escritora paraense Maria Lúcia Medeiros.Com base nas teorias de gênero e identidade, esse trabalho investiga como a identidade é moldada pelas relações sociais.Assim, discute-se a mulher enquanto discurso político em um sistema patriarcal, em que a fuga está em desprender-se das categorias colocadas pelo sistema.O próximo artigo se intitula, A poética de Adão Ventura como expressão de resistência e combate ao racismo estrutural.Trata-se de um trabalho que por meio da poesia negro-brasileira, de Adão Ventura, demonstra formas de resistência lírica, que auxiliam na superação do racismo estrutural no país.Ao analisar "A cor da pele e Negro forro", encontra-se nesses poemas (ritmo, musicalidade, sonoridade) que foram empregados para a problematização dos vieses histórico, social e político, ligados à identidade do negro brasileiro.Assim, propõe-se, como resultado, que a leitura dessas poesias podem ser armas de luta e de resistência contra o racismo na sociedade.O artigo que segue, com o título: Candura Provinciana propõe-se uma discussão/ensaio acerca da literatura da Amazônia como empreendimento coletivo e as consequências da posição solipsista do escritor, em que se usa, como apoio argumentativo, de outros textos de Dalcídio Jurandir e uma carta de Mário Faustino.Assim, o trabalho se inspira nos princípios da crítica biográfica, como apresentados por Eneida Maria de Souza e utiliza textos inéditos consultados nos acervos da Fundação Casa de Rui Barbosa, em pesquisa financiada pelo CNPq.Na sequência, tem-se o artigo intitulado: Crimes ao norte: os éguas e a tradição do romance policial.É um estudo que objetiva analisar o romance "Os éguas", do escritor paraense Edyr Augusto (1998).A análise demonstra que o romance ambientado na cidade de Belém e em Salinas, mantém o foco no processo investigativo e no desvendamento do enigma, trazendo para o centro da cena uma diversidade de crimes e criminosos, de forma a representar certas dinâmicas sociais até então pouco exploradas nos exemplares de prosa de ficção que tiveram a Amazônia como cenário de suas intrigas.Posteriormente, tem-se o artigo, Escritos e Travessias: do brinquedo de miriti ao Círio de Nazaré.Por meio de uma pesquisa etnográfica, desenvolvida durante quatro meses, em um ateliê de produção de miriti, no município de Abaetetuba, no estado do Pará, interpretam-se, nesse trabalho, as experiências na esfera pública, considerando dois eventos, o Miritifest e o Círio de Nazaré, e seus efeitos na subjetividade de uma mulher artesã-chefe de brinquedo de miriti.Assim, compreende-se que a artesã atravessa as fronteiras entre o espaço privado e a esfera pública; dilui binarismos, reinventando-a, a partir da experiência com a diferença no interior do ateliê, tensionando a heterossexualidade compulsória; os eventos na esfera pública afetam a subjetividade, transformando seu corpo e mente.Dando seguimento, o próximo artigo, intitulado: Modernidade e Transculturação na Epopeia "O Nativo de Câncer", de Ruy Barata apresenta a obra do escritor amazônida e paraense Ruy Paranatinga Barata, por meio do seu poema épico "O Nativo de Câncer", considerado uma epopeia regional.A obra é considerada como atualização do gênero em perspectiva da modernidade.No trânsito entre o clássico e o moderno, pode-se sugerir que o poema é criativo por ser mediação entre sociedade e poiesis, merecendo a sua inclusão na historiografia literária brasileira e, quiçá, mundial.Posteriormente, o artigo O olhar (des)construtor de Milton Hatoum em "Relato de um certo Oriente" apresenta uma análise do romance "Relato de um certo oriente", de Milton Hatoum, em que se refere aos elementos que desconstroem uma visão homogênea da Literatura Amazônica.Com os Estudos Culturais, desconstroem-se visões acerca da Amazônia, já que o mosaico de memórias inseridas no texto literário proporciona o constante flutuar entre elementos orientais e amazônicos, ressaltando a não rigidez deles.Para isso, o trabalho apresenta uma breve análise do romance, no que se refere aos seguintes aspectos: traços culturais do Oriente Médio presentes na obra; o contato com outro idioma; a análise das personagens e suas participações no narrar da nação amazônica e o caráter intersticial do espaço e tempo da narrativa.A seguir, tem-se o artigo, intitulado: Poesia, Identidade e Resistência na lírica indígena de Márcia Kambeba.Neste artigo apresentam-se análises de duas poesias: "Ser indígena, ser Omágua e Índio eu não sou", da obra literária indígena Ay Kakiri Tama, de Marcia Kambeba.Busca-se desvelar os sentidos de cultura, organização social, história e religiosidade neles contidos, considerando a relação das poesias com questões identitárias do povo Kambeba.Assim, apresentam-se considerações sobre a relevância da literatura indígena para o processo de ressignificação histórica, cultural e social dos povos originários.Por fim, o artigo intitulado: Projetos decolonias na América Latina: o romance histórico latino-americano e a dupla descolonização epistemológica.No presente trabalho tenta-se estabelecer bases epistemológicas a partir das quais se viabilize a realização de um estudo de literatura comparada focado no gênero romance histórico em correlação com os estudos decoloniais no contexto latino-americano.As discussões chegam a compreensão das vias pelas quais o romance histórico latino-americano pode ser contemplado e examinado como uma prática da opção decolonial: um exercício do pensamento fronteiriço.
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Language: Portuguese
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W4283834456
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