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Três vezes 22: o que nos resta?

Year: 2022
Type: editorial
Abstract: Três vezes 22: o que nos resta?Ao longo de 2022, não foram poucas as reflexões sobre qual país seríamos.Em um ano pontuado por fraturas sociais e eleições tensionadas até o limite, com ameaças de golpe da extrema-direita e o resultado mais apertado desde a redemocratização do Brasil, duas efemérides contribuíram para um debate contínuo sobre questões de identidade nacional: o bicentenário da Independência e o centenário da Semana de 22, dois eventos que marcaram nossa cultura.Afinal, é possível dizer quais Brasis somos nós?A fim de dialogar com essa pergunta no âmbito dos estudos literários, a Opiniães organizou, no seu vigésimo primeiro volume, uma coletânea de textos que busca refletir sobre as ressonâncias da Independência e da Semana de Arte Moderna nas preocupações estéticas e ideológicas da literatura brasileira.Nossa intenção foi, desde o início, abrir o espaço para discussões sobre a ideia de identidade nacional de nação, diferenças entre escrita local e universal, relações entre o popular e o erudito, bem como os tipos de representações em uma sociedade multifacetada racial e culturalmente, entre outros assuntos caros a quem pensa o país por meio de suas figurações artísticas.Com todos esses tópicos contemplados em maior ou menor grau, nossa seção Dossiê reúne quatro trabalhos de suma importância.No artigo que abre a revista, Gabriela Lopes de Azevedo analisa e discute as acusações de que os escritores das primeiras décadas do século XX não eram verdadeiramente modernos.Apoiada em conceitos do escritor e filósofo Marshall Berman, a pesquisadora expõe que as contradições ajudam a compreender melhor o Modernismo brasileiro e busca, ao longo do texto, evitar o encerramento da discussão sobre a insuficiência do movimento.Ainda discutindo esse momento inicial do modernismo, Rafael Bonavina analisa os textos do crítico literário Alceu Amoroso Lima sobre Macunaíma para discutir o projeto literário da Igreja Católica.Para fundamentar seu trabalho, o pesquisador propõe compreender a chave de leitura de Amoroso Lima através das suas relações éticas e estéticas com o frei Pedro Sinzig.Avançando historicamente no debate do modernismo, Jennifer Ianof apresenta seu artigo "A (Des)construção do feminino em 'Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres'", em que a autora se centra no debate da identidade feminina e sua desconstrução na obra clariceana.Um pouco mais adiante, já no campo da contemporaneidade, Gabriela Broinizi Pereira Branco se debruça sobre a peça Caranguejo Overdrive, de Pedro Kosovski, para refletir sobre os modos como a nossa dramaturgia contemporânea investiga o Brasil de hoje.Segundo a pesquisadora, a história do Brasil se repete ininterruptamente a ponto de ser incorporada à própria forma do teatro nacional.Já na seção Coletâneas, a Opiniães conta com o texto "O modernismo na historiografia literária", que discorre sobre a etimologia e o surgimento do termo moderno na crítica literária nacional, além de levantar dados dos mais recentes estudos da historiografia brasileira acerca das possibilidades do marco temporal que estabeleça o fim do modernismo.
Source: Opiniães
Language: Portuguese
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W4320021470
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