Year: 2022
Type: article
Abstract: NOTA DOS EDITORESÉ com satisfação que a Antropolítica.Revista Contemporânea de Antropologia, vinculada ao Programa de Pós-graduação em Antropologia da Universidade Federal Fluminense, apresenta seu número 54.3, neste terceiro quadrimestre de 2022.Dando continuidade a nossa política de publicação de Dossiês Temáticos contemplando propostas de colegas do Programa de Pós-graduação em Antropologia da Universidade Federal Fluminense, bem como de outros programas e instituições, publicamos nesta edição dois Dossiês Temáticos.Com essa iniciativa visamos a ampliação e diversificação dos temas e colegas envolvidos no processo de publicação na Revista e, ao mesmo tempo, propor diferentes discussões temáticas dentro de cada número.O primeiro dossiê tem como título Festas na pandemia.Foi proposto e organizado pela professora Renata de Sá Gonçalves (UFF) e pelo professor Hugo Menezes Neto (UFPE) com o objetivo de reunir reflexões em torno de experiências festivas durante a pandemia de Covid-19, vivenciada entre os anos de 2020 e 2021.Composto por seis artigos, além da apresentação assinada pelos organizadores, o dossiê apresenta artigos articulados no entendimento de rituais, como festas, serem "portas de entrada para o estudo da vida social".Especificamente, os trabalhos discutem como diversas dimensões dessas festas foram afetadas pelos efeitos da pandemia e, vice-versa: como as festas impactaram nas experiências e formas de viver etransitar a pandemia.O segundo dossiê deste número trata sobre Teoria, história e ensino da Antropologia e foi proposto e organizado pelos professores Guillermo Vega Sanabria (UFBA) e Amurabi Oliveira (UFSC).O dossiê reuniu também seis artigos com o objetivo de apresentar elementos empíricos e analíticos que permitam compreender as formas contemporâneas do fazer teórico na antropologia, à luz dos processos de historicização da disciplina e das tensões que experimentam seus modelos formativos e de pesquisa, assim como as possibilidades do seu exercício profissional.A proposta do dossiê, conforme seus organizadores, abre assim uma oportunidade renovada para refletir sobre os desafios e as perspectivas da antropologia, da universidade pública e das ciências sociais nas especiais circunstâncias que experimentamos no Brasil de hoje.Além desses dois debates, o presente número da Antropolítica traz oito artigos com temática livre, oriundos do fluxo contínuo da revista, um artigo na seção Trajetórias e Perspectivas e, por fim, incluímos também uma resenha de um livro da área.A seção de Artigos inicia com o trabalho Conservação em território tradicional: uma Revista Antropolítica, v. 54, n. 3, Niterói, p. 9-12, 3. quadri., set./dez., 2022 Revista Antropolítica, v. 54, n. 3, Niterói, p. 9-12, 3. quadri., set./dez., 2022 10 longa história até a conciliação via Termo de Compromisso, de autoria de Ana Beatriz Vianna Mendes da Universidade Federal de Minas Gerais.O trabalho apresenta o percurso, ao longo de quatro décadas, de conflitos e negociações vivenciados por gestores e moradores de uma pequena área no interior do Parque Nacional da Serra do Cipó (MG), criado em 1984.A perspectiva da análise se fundamenta em uma antropologia do Estado, integrando reflexões sobre conservação ambiental e direitos étnicos no Brasil.O artigo seguinte, de coautoria de José Manuel Resende e José Maria Carvalho, ambos da Universidade de Évora, Portugal, intitula-se Pintar quanto antes: a exploração criativa da ação conveniente no atelier de pintura do Pisão.Os autores apresentam, a partir da perspectiva do pragmatismo, uma discussão sobre a vivência do pintar, enquanto prática artística, no contexto de experiências de institucionalização em foro psiquiátrico.Discutem, assim, a partir do caso de um pintor abstrato, a variedade de envolvimentos presentes na experiência pictórica no contexto etnografado.Em seguida, o artigo A maldade na burocracia: "bichos" e "idiotas" fazendo Estado, de Monique Florencio de Aguiar, da Universidade Federal de Alagoas, a partir de sua experiência como servidora de uma instituição do governo do estado do Rio de Janeiro, apresenta as interlocuções tecidas com funcionários públicos durante o período em que se desempenhou na instituição.O artigo propõe uma leitura dos conflitos, cerceamentos e atos de subjugação entre colegas e, em especial, com seus superiores hierárquicos a partir da identificação de atributos da maldade e da inveja.Com base nessas noções, a autora procura analisar processos de produção do Estado, da autoridade e do poder no serviço público.O artigo que dá continuidade à nossa seção intitula-se Maternidade contra o genocídio: o Movimento Mães de Maio frente à democracia das chacinas, de Matheus de Araújo Almeida, da Universidade de São Paulo.O trabalho apresenta a interlocução do autor com o Movimento Mães de Maio (SP), a fim de analisar o modo como essas mães, cujos filhos foram assassinados por agentes do Estado, têm se unido e lutado para denunciar as violências estatais.Especificamente, o trabalho explora os rendimentos teóricos que a categoria nativa de democracia das chacinas pode oferecer, segundo o autor, para compreensão das políticas de morte em curso no país.A seguir, incluímos o artigo Disputas territoriais e conflitos ambientais nas fronteiras do Ariramba, de coautoria de Luciana Gonçalves de Carvalho, da Universidade Federal do Oeste do Pará, e Valentina Calado Pompermaier, da Universidade de Brasília.No artigo, as autoras analisam, a partir da experiência da comunidade quilombola do Ariramba, no Pará, como os processos de regulação de territórios tradicionalmente ocupados por comunidades descendentes de africanos que resistiram à escravidão se desenvolve a partir de procedimentos burocratizados, morosos e atravessados por inúmeros conflitos e disputas.O artigo seguinte Cavalos que trabalham: disputas entre carroceiros e ativistas da Revista Antropolítica, v. 54, n. 3, Niterói, p. 9-12, 3. quadri., set./dez., 2022 11 libertação animal, de autoria de Ricardo Alexandre Pereira de Oliveira, da Universidade de Brasília, tem como objetivo apresentar alguns resultados da pesquisa do autor, realizada entre 2014 e 2018, acerca do conflito e das controvérsias em torno da tração animal em Belo Horizonte e Região Metropolitana.Através do relato etnográfico construído nos anos de observação participante e do levantamento de documentação, o artigo propõe que o debate público, em âmbito judicial e legislativo, não contribui para compreendermos os diferentes sentidos que incidem sobre a relação de trabalho entre carroceiros e cavalos nas cidades.O sétimo artigo da seção de temática livre é de coautoria de Fábio Gomes de França, do Centro de Educação da Polícia Militar da Paraíba, e de Róbson Rodrigues da Silva, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e intitula-se Caserna de símbolos: ação ritual, liminaridade, sofrimento e distinção na cultura policial militar.A partir da auto-etnografia e da análise de fotografias, os autores buscam demonstrar como a prática da "pagação", fenômeno que se traduz com o exercício de flexões de braço, é fundamentada na lógica do sofrimento físico e, como ação ritual, traduz uma distinção que caracteriza a imagem militar dos policiais, reforçando a identidade grupal e naturalizando sua diferença do restante da sociedade.
Author: Comitê Editorial
Institution: Universidade Federal Fluminense
Language: Portuguese
Subfield: Anthropology
Field: Social Sciences
Domain: Social Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W4367163814
