Year: 2023
Type: article
Abstract: O que marca nosso tempo de ser senão o modo como somos no tempo em que estamos dados, nele experienciando outros tempos que com o nosso confluem ao se disfluírem? Isso, esse modo de temporalidade, embora em forma de questionamento, é o que acontece com o narrador de Dois irmãos, de Milton Hatoum (2006). Nael se encontra e se defronta a todo instante com um tempo (existencial e histórico) que, não sendo dele, a ele se dá e o garante maneira de vir a ser. Neste sentido, o presente trabalho tem por objetivo refletir sobre três formas de tempo no romance Dois irmãos, focando no narrador e sua relação com as e na relação entre as personagens Yaqub e Omar, Halim e Domingas. Faremos essa reflexão a partir de um diálogo com Castilo (2021) e seu conceito de perlaboração, e com Benedito Nunes (2009, 2013b) e sua discussão a respeito do mito no romance hatouniano, visando aliar tempo e memória, alçando, assim, a possibilidade de pensarmos a relação entre os três tempos: mito, histórico e de circum-inscrição. Serão os dois primeiros tempos que produzem e abrem caminho ao terceiro, pelo qual Nael circula e adentra o círculo da história acontecida.
Source: Opiniães
Author: Adonai da Silva de Medeiros
Institution: Universidade do Estado do Pará
Language: Portuguese
Subfield: Literature and Literary Theory
Field: Arts and Humanities
Domain: Social Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W4384344544
