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Na Colisão De Corpos, Se Reverberam Os Afetos

Year: 2023
Type: article
Abstract: Dos deslocamentos de uma jovem pesquisadora no território são-carlense em um domingo ensolarado avista-se um senhor praticante da travessia de uma calçada para outra.A sacola com estampa do supermercado revela o motivo do deslocamento matutino.A cor cinza do seu chapéu revive o nonno.Ao permitir a prática do ouvir abrese passagem à identificação e, por fim, se alcança o lugar do afeto.O lugar que dá língua para afetos, mergulhada na intensidade do tempo, se atenta à linguagem dos acontecimentos, devorando elementos para a composição das cartografias subjetivas que se fazem necessárias.A cartografia carrega uma cognição provisória: para os geógrafos é a representação de um todo estático, a representação do mundo que parte de um ponto de vista de quem propôs.Numa lógica para a composição de processos subjetivos, Rolnik (2016), afetada por princípios deleuze-guattarineanos, apresenta as marcas dos afetos produzidos pela experimentação.Cartografia, nessa explanação, acompanha e se faz ao mesmo tempo em que se tem o 'desmanchamento' de certos mundos e a formação de outros que se criam para expressar afetos (ROLNIK, 2016).Interessa-nos emprestar estes princípios postos pela cartografia sentimental de Rolnik (2016) para entrelaçar narrativas e tecer a multiplicidades que somos, enquanto corpos abertos que se dispersam pela cidade, ocupando fissuras poéticas em seu tecido 3 (Fig. 1).Mas, afinal, o que pode um corpo?De que afetos ele é capaz de irromper?Não cabe a nós definir tais corpos em deslocamento, nem pelo seu gênero e sua espécie, muito menos por sua função, mas compreender aquilo que podem, pelos afetos dos quais são capazes.Corpo-geografia, que experimenta e pode cada vez.Um corpo que escolhe por meio de acontecimentos que efetivam afetos (Fig. 2).Buscamos na teoria um adensamento dos conceitos para embasar a prática de se lançar ao mundo.Uma maneira inventiva e processual que subtrai o personagem central hegemônico, restando o processo que nos transporta para o campo do múltiplo.Acontecimento que expropria, apropria, devora e transvalora.Na física há a perspectiva de que na elasticidade da colisão conserva-se a energia dos corpos que se chocaram.Em uma superfície que enruga, fende, descasca.Inúmeras camadas sobrepostas de acúmulo.Tudo é textura (BRISSAC, 2019).Para os processos subjetivos esses eventos se prolongam nos corpos humanos.Isso é reiterado em uma cartografia que
Language: Portuguese
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W4387047571
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