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A vida neuroquímica e o capitalismo cognitivo: a medicalização da vida escolar

Year: 2024
Type: article
Abstract: Resumo O estabelecimento do cérebro como matriz decodificadora do comportamento humano favoreceu o emprego de fármacos como estratégia de afrontamento de condições orgânicas, consideradas obstáculos para a produção e o consumo de bens e serviços. A vida tornou-se cerebral. Profissionais do “cérebro” entraram nas escolas e transformaram a personalidade e os comportamentais ditos “anormais” dos estudantes em problemas médicos Este artigo busca problematizar os desdobramentos da medicalização da vida acadêmica, sobretudo no que concerne à produção cognitiva imaterial, que encontra no estabelecimento de uma vida neuroquímica, fruto dos efeitos moleculares de estimulantes cerebrais, uma eugenia farmacêutica neoliberal que produz subjetividades fabricadoras de um bem imaterial, o conhecimento. Na contramão do atual movimento eugênico neoliberal, autores como Nikolas Rose, Paul Preciado, Antonio Negri e Maurizio Lazzarato, sinalizam que os ditos “inaptos” podem nos oferecem novos mapas, novas rotas para o estabelecimento de uma vida afirmadora da existência, resistente aos processos de encapsulamento da sociedade de controle e do farmacopoder. Este artigo materializa a filosofia do medicamento, um conceito absolutamente novo no Brasil e que elege a questão da produção cognitiva como objeto para se pensar os efeitos da medicalização da vida no tempo presente.
Language: Portuguese
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W4401701376
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Cites: 19
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