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O triste fim do Welfare State

Year: 2019
Type: article
Abstract: Tem-se o fascismo clássico por regime maximamente repressivo. Assim, como supor que o fascismo poderia se atualizar mediante o hedonismo e a desregulamentação? Mas tal é a tese precursora de Kubrick em Laranja mecânica (1971), um dos primeiros filmes a notar a reversão de termos e expectativas despertados pelo movimento de maio de 1968. Para determinar o novo fascismo, é necessário estabelecer as correspondências entre a estética da violência, inerente ao fascismo clássico e que reaparece no filme de Kubrick sob a espontaneidade das gangues de rua, cujas ações fazem de cada noite uma nova Kristallsnacht (1938), e a realização do imaginário, sob sinais combinados de imediatismo e mascaramento, temas narcísicos e estritamente atuais. Assim, Laranja mecânica funciona, para Kubrick, como um laboratório. O que sintetiza em tal “ficção-científica-política”? Os efeitos da derrota da revolução política de 1968, o butim obtido pelo capital: o desmantelamento do Welfare State; a transformação do Estado em organização criminal e em simbiose com a mídia, a serviço do absolutismo do mercado.
Author: Luiz Renato Martins
Language: Portuguese
Field: Psychology
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W4403539061
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