Year: 2025
Type: editorial
Abstract: Nesse sentido, poder-se-ia falar de uma vida, ou de um instante inesquecível, mesmo que todos os homens o tivessem esquecido. Walter BenjaminLer o poema em tradução é o eixo temático em torno do qual se organiza o dossiê que apresentamos nesta edição da Alea, mas é também o mote a partir do qual se ensaia, aqui, a formulação de um problema que, embora à primeira vista possa sugerir uma nota de obviedade, está longe de ser percebido como uma questão de maior relevância -e apenas raramente é circunscrito e discutido como tal -em boa parte da crítica que toma o poema traduzido por objeto.Aliás, de um ponto de vista mais contemporâneo do pensamento sobre a tradução, poderíamos mesmo considerar que já temos um problema quando ler o poema em tradução não se apresenta nem minimamente como uma questão, quando ler o poema em tradução não passa de um gesto tomado por óbvio, trivial, autoevidente, não raro em consequência da naturalização de um conjunto de pressupostos tomados igualmente por óbvios: como, por exemplo, a ideia-desejo de que o poema traduzido possa ou até mesmo deva ser o "próprio" poema original noutra língua; ou, ainda, a ideia-estigma de que qualquer texto traduzido que fique aquém ou além da realização (tão perfeita quanto possível!)dessa ideia-desejo não represente, senão, uma confirmação da imagem proverbial da tradução como perda ou traição, o que, ao fim e ao cabo, não faz mais que reduzir inexoravelmente a tradução a sua negatividade.Uma negatividade, diga-se de passagem, nem sempre explicitada e problematizada (por vezes até mesmo dissimulada... recalcada), quando se trata de outras práticas discursivas fundadas nas mesmas condições de linguagem, como a da leitura, a da crítica, a do comentário, mas sistemática
Source: Alea Estudos Neolatinos
Authors: Mauricio Mendonça Cardozo, Pablo Simpson
Language: Portuguese
Subfield: Language and Linguistics
Field: Arts and Humanities
Domain: Social Sciences
Open Access status: diamond
OpenAlex ID: W4410622142
